A Usina Fotovoltaica Bom Jardim, da Qair, implementou um sistema avançado de proteção perimetral inteligente. Com 16 km de extensão, o projeto utiliza fibra óptica e sensores para monitorar ativos de energia contra invasões e furtos.
A expansão das usinas de energia solar no Brasil traz consigo um desafio crítico: a segurança de ativos distribuídos por áreas vastas e remotas. Com a infraestrutura composta por inversores, transformadores e painéis fotovoltaicos expostos ao ambiente, o risco de furtos e danos torna-se uma ameaça real à continuidade operacional.
Nesse cenário, a proteção deixa de ser apenas uma questão de patrimônio para se tornar um pilar essencial da transição energética.
Para mitigar esses riscos na Usina Bom Jardim, localizada em Icó, no Ceará, a Avantia – Tecnologia e Segurança, em parceria com a A\SENSE Defesa Perimetral, implementou uma solução de inteligência de ponta.
O projeto, que cobre 16 quilômetros de perímetro, marca um avanço significativo na segurança de grandes ativos de Geração Centralizada, integrando detecção física a sistemas de monitoramento visual automatizado.
Tecnologia de fibra óptica como sentinela
Diferente de sistemas convencionais, que sofrem com falsos alarmes causados por poeira, vegetação ou animais, a solução escolhida transforma um cabo de fibra óptica em um sensor distribuído.
Ao longo de todo o perímetro da usina solar, o cabo capta vibrações e perturbações físicas. Algoritmos avançados processam esses sinais em tempo real, distinguindo tentativas reais de intrusão, como cortes ou escaladas, de interferências naturais como o vento ou a circulação de veículos.
Mário Tranche, diretor comercial da Avantia, afirmou:
“Em uma usina com vários quilômetros de perímetro, não adianta apenas aumentar o número de equipamentos. É preciso entender quais são os riscos, como o ambiente interfere na operação e como diferentes tecnologias podem trabalhar juntas para entregar uma informação útil para quem precisa agir”
Integração e resposta rápida
O grande diferencial do projeto reside na conectividade entre os sistemas. Quando o sensor de fibra óptica identifica uma ameaça, o alerta é enviado instantaneamente para o sistema de vídeo (VMS).
Câmeras PTZ são direcionadas automaticamente ao ponto exato da ocorrência, permitindo que a equipe do SOC (Centro de Operações de Segurança) valide o risco antes de qualquer mobilização.
Mário Tranche destacou:
“Quando a tecnologia consegue indicar o ponto da ocorrência e direcionar o monitoramento por vídeo, a equipe ganha agilidade na verificação e melhores condições para avaliar o risco antes de tomar uma decisão. É a integração entre sistemas que permite sair de uma lógica de monitoramento passivo para uma atuação mais orientada por inteligência”
Sustentabilidade operacional e redução de custos
Além da eficiência, a arquitetura adotada na Usina Bom Jardim prioriza a durabilidade e a baixa manutenção. Por ser uma solução passiva, o cabo de fibra não exige alimentação elétrica ao longo do perímetro.
Isso torna o sistema imune a descargas atmosféricas e interferências eletromagnéticas. Essa característica é fundamental para reduzir falhas técnicas em áreas remotas e aumentar o ciclo de vida da infraestrutura.
Hamilton Luiz, CEO da A\SENSE, pontuou:
“Quando falamos de ativos de energia, a defesa perimetral precisa ser analisada dentro da lógica de continuidade operacional. Uma ocorrência pode significar perda de equipamento, mobilização de equipes, interrupção e redução de disponibilidade. Por isso, o valor da tecnologia está também em conseguir identificar o evento mais cedo e direcionar a resposta com precisão”
O futuro da segurança em usinas solares
A implementação bem-sucedida na unidade de 240 megawatts da Qair demonstra que a segurança em parques solares deve ser tratada como parte integrante da engenharia do projeto.
Ao combinar tecnologia nacional de ponta com a expertise em integração da Avantia, a solução não apenas protege o investimento contra perdas financeiras, mas garante que a produção de energia limpa siga ininterrupta.
O case em Icó estabelece um novo padrão para o setor. Em um futuro onde a segurança de infraestruturas críticas exige cada vez mais automação, a capacidade de converter dados perimetrais em inteligência operacional será o principal diferencial para as empresas que lideram a matriz energética sustentável do país.









