A Qair Brasil implementou no Complexo Solar Bom Jardim, no Ceará, um sistema de segurança de ponta que utiliza fibra óptica e Inteligência Artificial para monitorar 16 km de perímetro.
A proteção de ativos de energia renovável em áreas remotas atingiu um novo patamar de sofisticação com a recente atualização tecnológica no Complexo Solar Bom Jardim, situado no município de Icó, Ceará. Com uma capacidade instalada de 240 MW, o empreendimento — que engloba as unidades Bom Jardim I, II, III e V — passou a utilizar sensoriamento óptico distribuído aliado a algoritmos inteligentes para blindar suas instalações contra intrusões, furtos de cabos e vandalismo.
O projeto, viabilizado pela integradora Avantia em parceria com a A\SENSE, marca a estreia dessa tecnologia específica em plantas de geração centralizada no Brasil. Em um cenário onde a segurança de usinas fotovoltaicas enfrenta desafios logísticos pela vasta extensão territorial, a adoção dessa solução visa garantir a disponibilidade operacional constante, evitando paradas não programadas que impactam diretamente a rentabilidade do ativo.
Tecnologia passiva para ambientes hostis
Diferente dos sistemas tradicionais de segurança, que dependem de uma rede complexa de sensores, câmeras e pontos de energia distribuídos por quilômetros de cerca, a nova arquitetura transforma a própria fibra óptica em um sensor acústico e de vibração. Esse método de monitoramento passivo elimina a necessidade de infraestrutura elétrica no perímetro, reduzindo drasticamente os pontos de falha técnica.
Além da robustez, a solução é imune a interferências eletromagnéticas e descargas atmosféricas, fatores cruciais para instalações em zonas rurais. De acordo com os desenvolvedores, o material possui uma vida útil superior a um século, resistindo com eficácia às condições severas de umidade e maresia típicas da região.
“Quando falamos de ativos de energia, a defesa perimetral precisa ser analisada dentro da lógica de continuidade operacional. Uma ocorrência pode significar perda de equipamento, mobilização de equipes, interrupção e redução de disponibilidade. Por isso, o valor da tecnologia está também em conseguir identificar o evento mais cedo e direcionar a resposta com precisão.”
IA como filtro para decisões estratégicas
Um dos grandes entraves na segurança perimetral de grandes fazendas solares é a alta incidência de alarmes falsos causados por rajadas de vento, fauna local ou variações térmicas. Para solucionar esse problema, o sistema implantado em Bom Jardim emprega Inteligência Artificial treinada para filtrar ruídos ambientais e disparar alertas apenas quando eventos reais de invasão são detectados.
Quando uma violação é confirmada, o sistema aciona automaticamente o Centro de Operações de Segurança (SOC) e direciona câmeras PTZ (Pan-Tilt-Zoom) para a coordenada exata do ocorrido. Mário Tranche, diretor da Avantia, enfatiza que essa integração transforma dados brutos em inteligência tática. Segundo ele, não se trata apenas de monitorar, mas de oferecer aos operadores condições reais de avaliar o risco antes de enviar equipes a campo.
A implementação também superou desafios topográficos complexos, com algoritmos desenvolvidos sob medida para compensar variações no terreno e trechos onde a fibra acompanha a fiação de linhas de alta tensão. Com essa inovação, o setor renovável sinaliza um movimento claro de transição: a segurança deixa de ser uma medida reativa para se tornar um pilar estratégico na gestão de ativos, garantindo que a geração de energia limpa não sofra interrupções por vulnerabilidades físicas em seus imensos perímetros.









