O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico confirmou que o fornecimento de energia no Brasil segue estável, mesmo diante dos desafios impostos pela estiagem severa na região Norte e pelo El Niño.
O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) reafirmou a segurança energética do SIN (Sistema Interligado Nacional) durante sua reunião realizada nesta quarta-feira, 4 de novembro. O diagnóstico aponta que, apesar das instabilidades climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño, que impactam o regime de chuvas e a infraestrutura de transmissão, o país mantém condições sólidas para atender à demanda de consumo.
Um dos pontos de destaque no relatório do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) é o nível dos reservatórios das hidrelétricas. Ao encerrar o mês de outubro, o armazenamento atingiu 58% da capacidade total, um desempenho superior em oito pontos percentuais em comparação ao registrado no mesmo período de 2025. Esse cenário reflete a eficácia das medidas preventivas implementadas pelo MME (Ministério de Minas e Energia) ao longo dos últimos meses.
Resiliência na transmissão e desafios climáticos
Embora a seca persista na região Norte, a robustez da Rede Básica de transmissão tem demonstrado maior eficiência. O indicador de desempenho do sistema alcançou 95,5% em outubro, superando a marca de 94,6% observada um ano antes. Esse percentual indica a capacidade do sistema em absorver perturbações, como a queda de torres causada por ventos intensos e eventos climáticos, sem resultar em interrupções no fornecimento aos consumidores.
As estratégias de contingência adotadas pelo setor permitiram que a confiabilidade do sistema nacional permanecesse intacta, mesmo enfrentando condições meteorológicas adversas em diversas partes do país.
Disparidades hidrológicas regionais
O cenário de chuvas apresenta contrastes significativos entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sudeste e o Centro-Oeste iniciaram o período úmido com precipitações acima da média — impulsionadas pela Zona de Convergência do Atlântico Sul —, as regiões Norte e Nordeste ainda enfrentam dificuldades. No Norte, a ENA (Energia Natural Afluente) registrou apenas 51% da média histórica em outubro.
A situação é monitorada de perto na bacia do rio Xingu, onde opera a usina de Belo Monte, no Pará. Para otimizar a geração em horários de pico, foi mantida a flexibilização temporária da vazão mínima do reservatório intermediário, autorizada pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) até o final de novembro. As projeções para o mês indicam que a ENA no Norte deve oscilar entre 30% e 43% da média, mantendo o alerta do ONS ligado.
O CMSE continuará realizando o acompanhamento rigoroso das condições hidroenergéticas do país. A expectativa é de que, com a recuperação gradual dos níveis nos reservatórios do Sul e do Sudeste/Centro-Oeste, o sistema mantenha o equilíbrio necessário para suprir o consumo nacional nos próximos meses, assegurando a confiabilidade mesmo sob a influência contínua dos eventos climáticos extremos.









