A Light projeta o encerramento de sua recuperação judicial para o segundo semestre de 2026, impulsionada pela recente renovação de sua concessão e por uma robusta estratégia de aumento de capital.
A companhia de energia deu um passo decisivo para superar o período de instabilidade que enfrentava desde 2023. Com a formalização da extensão do contrato com o Ministério de Minas e Energia (MME), a empresa agora articula um plano de capitalização que pode movimentar até R$ 1,5 bilhão, valor fundamental para atender aos compromissos estabelecidos no plano de reestruturação financeira.
A expectativa da diretoria, detalhada pelo diretor Financeiro Leonardo Gadelha durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, é de que a capitalização seja o combustível necessário para que a empresa finalmente saia do processo de recuperação. O cronograma de emissão de ações já está em curso, com a expectativa de que o desfecho ocorra ainda nos próximos meses.
Um novo horizonte para a distribuidora
A renovação contratual, que abrange um período de 30 anos a partir de junho de 2026, traz mudanças significativas no modelo de operação. O acordo contempla condições especiais para o gerenciamento de perdas não-técnicas e inadimplência em áreas de risco, temas cruciais para a sustentabilidade do negócio. Além disso, a empresa se comprometeu a investir R$ 10 bilhões na rede nos próximos cinco anos.
Sobre a mudança de rumo, o presidente do grupo, Alexandre Nogueira, pontuou:
“A renovação encerra um ciclo de incerteza.”
Os executivos da Light enxergam na renovação tarifária de 2027 o estágio final para a consolidação do *turnaround* da companhia. Eles acreditam que esse marco será o elemento definitivo para estabilizar a operação e permitir que a distribuidora inicie uma fase de crescimento sustentável.
Análise do primeiro trimestre de 2026
Os balanços financeiros da empresa trouxeram números expressivos. O lucro líquido atingiu a marca de R$ 2,8 bilhões entre janeiro e março, um salto expressivo na comparação anual, alavancado em grande parte pelo reconhecimento de R$ 2,9 bilhões em créditos tributários. Sem esse efeito contábil, o resultado ajustado seria de um prejuízo de R$ 80 milhões.
Por outro lado, o Ebitda sofreu uma retração de 50,7%, fechando em R$ 430 milhões. O recuo é atribuído principalmente a um cenário de consumo mais fraco, influenciado por temperaturas abaixo da média histórica — que reduziu o uso de climatizadores — e uma demanda industrial ainda cautelosa, especialmente no setor siderúrgico.
Apesar da queda no volume de energia vendida, que somou 6.750 GWh no período, a empresa mantém o foco na otimização de custos e no fortalecimento da estrutura de capital. A gestão da Light avalia que o patamar atual de despesas operacionais, incluindo pessoal e serviços de terceiros, está ajustado e alinhado com a realidade da operação que a companhia planeja para o futuro.























