Recomendações para fim da interferência política na “lista suja” do trabalho escravo

Recomendações para fim da interferência política na "lista suja" do trabalho escravo
Debate ocorreu no dia 13, dia em que se recorda a abolição da escravatura
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A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados busca blindar a lista de empresas flagradas com trabalho escravo de influências políticas, visando mais transparência e eficácia no combate.

A Câmara dos Deputados, por meio de sua Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, está prestes a formalizar um pedido para impedir interferências políticas na divulgação da “lista suja” do trabalho escravo. O documento, que será encaminhado à Casa Civil e aos ministérios do Trabalho e dos Direitos Humanos, visa assegurar a integridade e a transparência do cadastro que expõe empresas flagradas explorando mão de obra em condições análogas à escravidão.

Recentemente, a comissão promoveu debates intensos sobre o preocupante aumento de casos de trabalho escravo no Brasil. Especialistas já haviam levantado a bandeira vermelha, denunciando que pressões políticas podem estar afetando a lista de empresas condenadas. O tema ganhou ainda mais destaque em 13 de maio, data que marca a Abolição da Escravatura, com discussões focadas nas violações em cadeias produtivas agrícolas e nos desdobramentos de investigações internacionais.

### Combate ao Trabalho Escravo: Recomendações e Fortalecimento de Políticas

O deputado Padre João (PT-MG), proponente das discussões, classificou a persistência do trabalho escravo como uma “vergonha nacional” e clamou por medidas contundentes para sua erradicação. “O 13 de maio não deve ser apenas uma data comemorativa, mas um chamado à ação”, ressaltou o parlamentar, pedindo que ofícios sejam enviados aos órgãos competentes para garantir a efetividade e a imparcialidade das políticas de combate a essa prática, incluindo a manutenção de mecanismos de transparência.

Durante as audiências públicas, representantes do governo apresentaram avanços no fortalecimento dos mecanismos de controle, embora reconheçam desafios relacionados a orçamento e pessoal. Day Carvalho Coelho, coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério dos Direitos Humanos, defendeu a manutenção das ferramentas existentes, como o cadastro de empregadores, e enfatizou a importância do modelo brasileiro de cooperação e transparência para a soberania nacional em investigações internacionais. “Nenhum passo atrás naquilo que a gente já conquistou em termos de política pública para combate ao trabalho escravo”, declarou. Ele também mencionou o Terceiro Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, com ações de prevenção, repressão e assistência.

### Novos Auditores e Sugestões Legislativas para o Combate

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Shakti Prates, coordenadora-geral de Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, trouxe notícias animadoras quanto à capacidade operativa do órgão. A chegada de 900 novos auditores-fiscais em 2026 representará um impulso significativo para as ações de combate ao trabalho escravo, permitindo um atendimento mais amplo às denúncias após um período de desestruturação da carreira. A uniformização e disseminação das ações em todas as regionais também foram destacadas.

Adicionalmente, foram propostas sugestões legislativas para intensificar o combate. Entre elas, a aprovação do Projeto de Lei 572/22, que estabelece um marco nacional sobre direitos humanos e empresas; a regulamentação da Emenda Constitucional 81, que permite o confisco de terras com histórico de trabalho escravo para fins de reforma agrária; e a criação de uma Lei Brasileira de Devida Diligência, exigindo que empresas fiscalizem suas cadeias produtivas.

### O Perfil das Vítimas e a Necessidade de Combater o Racismo Estrutural

A discussão também abordou a questão do racismo estrutural como um fator que perpetua o trabalho escravo. Dados apresentados por Jorge Ferreira dos Santos, coordenador da Articulação dos Empregados Rurais de Minas Gerais (Adere), revelam que 80% das vítimas resgatadas são homens negros e jovens. A falta de punição efetiva aos exploradores foi apontada como um dos motivos para a continuidade do ciclo de violência. “Por que o jovem preto que rouba uma carteira vai preso e o cara que rouba a dignidade de dezenas de pessoas continua impune?”, questionou.

O setor cafeeiro foi identificado como o que mais registrou resgates em 2025, com 212 vítimas. Críticas foram feitas à postura de algumas cooperativas e empresas que apenas rompem laços com fornecedores após o flagrante, em vez de atuarem na correção estrutural da cadeia produtiva. O Ministério Público do Trabalho anunciou a intensificação do projeto “Reação em Cadeia” para responsabilizar grandes empresas e cooperativas. O deputado Padre João pretende levar o debate a outras comissões, como a de Agricultura, para ampliar a discussão sobre a responsabilidade dos setores produtivos.

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