A Consciência, Mais Que o Inglês, é o Ponto de Partida Pedagógico
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A Consciência, Mais Que o Inglês, é o Ponto de Partida Pedagógico
Por Jhonata Sousa Santos – GO
Compartilho uma experiência valiosa vivenciada na Escola Marlene Mariano Cardoso, localizada em uma comunidade de Planaltina de Goiás, que atende mais de 800 alunos do ensino fundamental.
O termo “quebrada”, comum em comunidades brasileiras, transcende a mera referência geográfica. Ele evoca ambientes marcados pela vulnerabilidade social, pela presença do tráfico, pela influência do crime organizado e, crucialmente, pela escassez de perspectivas para muitos jovens.
Nesse contexto, o professor assume um papel que vai além da transmissão de conteúdo, tornando-se um agente de esperança, um porto seguro que inspira crianças a sonharem com a transformação de sua realidade.
Incentivar os alunos a explorarem seu potencial e a buscarem ir além de suas circunstâncias atuais é uma conexão que transcende o material. Ser professor, nesse sentido, é uma vocação que se estende para além da simples instrução acadêmica.
O estímulo para que as crianças se tornem cidadãos de excelência encontra um poderoso aliado na alfabetização em inglês. O projeto encoraja os alunos a visualizarem um futuro promissor, sem limites, pois o inglês é uma língua com alcance global.
O projeto se concentra na alfabetização e no reconhecimento fonético do inglês, utilizando a metodologia do letramento fônico silábico. Essa abordagem estruturada valoriza a métrica da linguagem, promovendo o raciocínio lógico e a organização do pensamento.
A iniciativa pedagógica primordial não reside apenas no idioma, mas no despertar da autoconsciência. É essencial guiar o aluno a identificar seus sonhos, compreender os passos para alcançá-los e internalizar que toda conquista exige tempo, disciplina e persistência.
Em comunidades vulneráveis, muitos estudantes apresentam déficits significativos em sua língua materna e em noções básicas de aritmética. Por isso, é fundamental nutrir a confiança intelectual, mostrando que a expansão do conhecimento capacita o indivíduo e mitiga as barreiras que o limitavam.
O Esforço e o Papel Transformador do Professor
A experiência demonstrou um resultado notável: a introdução da alfabetização em inglês reavivou sonhos adormecidos e reacendeu o interesse dos alunos pelas atividades escolares.
O aprendizado deixou de ser uma mera obrigação e se tornou um veículo para o crescimento pessoal. Gradualmente, os estudantes compreendem que a vida em sociedade demanda preparação, responsabilidade e uma atitude de competição ética.
As oportunidades estão disponíveis para todos, mas a prontidão para aproveitá-las é o diferencial. Destacar-se em meio a tantos exige excelência, um atributo cada vez mais fundamental no mundo atual.
Essa excelência não se traduz em ser superior aos outros, mas em alcançar a melhor versão de si mesmo – aquela capaz de transcender as barreiras sociais de origem e alcançar o cenário global.
A história nos mostra que o mundo não é moldado apenas por herdeiros; ele também é construído por indivíduos que começaram do zero, lutaram, persistiram e deixaram sua marca: Howard Schultz (Starbucks), Jan Koum (WhatsApp), Oprah Winfrey (Harpo Productions) e Mohamed Ali (lutador e ativista).
Um traço comum a todos eles: a capacidade de não desistir de sonhar e acreditar em seus objetivos.
O engajamento do educador é crucial.
O amor na transmissão do conhecimento possui um poder transformador. O verdadeiro professor desfaz desesperanças, reconfigura perspectivas e auxilia o estudante a perceber que o saber é uma ferramenta essencial para a emancipação social. No contexto contemporâneo, o domínio da língua inglesa se tornou um diferencial estratégico para expandir oportunidades e reduzir desigualdades.
Cultivar, nas comunidades, o desejo de superar desafios é uma missão reservada àqueles que veem a educação como um sacerdócio. Ensinar nesses ambientes vai além de transmitir conteúdo; significa semear dignidade, despertar a consciência e oferecer caminhos para a prosperidade onde muitos percebiam apenas o abandono.
(Jhonata Sousa Santos é professor e articulador do ensino de língua inglesa na Secretaria Municipal de Educação de Planaltina de Goiás)
Créditos: Misto Brasil























