Indústria sucroenergética contesta tarifa de 25% dos EUA para etanol

Indústria sucroenergética contesta tarifa de 25% dos EUA para etanol
Indústria sucroenergética contesta tarifa de 25% dos EUA para etanol - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A indústria sucroenergética brasileira contesta a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre o setor, defendendo que suas políticas comerciais cumprem normas internacionais vigentes.

O setor sucroenergético brasileiro manifestou forte oposição à recente decisão do governo dos Estados Unidos de elevar em 25% as taxas de importação sobre produtos brasileiros, incluindo o etanol e o açúcar. A medida, impulsionada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), surge como uma retaliação sob a chamada Seção 301 da legislação comercial americana, sob a alegação de que o Brasil impõe barreiras injustas ao comércio.

Em nota conjunta, a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) e a Bioenergia Brasil rebateram os argumentos de Washington. Segundo as entidades, a tributação aplicada pelo país ao etanol estrangeiro é totalmente transparente, respeitando a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, sem carregar qualquer caráter discriminatório específico contra produtores americanos.

Disputa comercial e o histórico de barreiras

Washington justifica a nova taxação argumentando que o Brasil teria alterado, a partir de 2017, um cenário que antes era de equilíbrio comercial. O governo americano aponta que o volume de exportações de etanol dos EUA para o mercado brasileiro despencou nos últimos anos, enquanto o produto brasileiro continua a ter entrada facilitada no mercado norte-americano.

Por outro lado, o setor sucroenergético brasileiro ressalta a hipocrisia das críticas. Os representantes destacam que, há décadas, os EUA impõem sobretaxas proibitivas e cotas restritivas ao açúcar brasileiro — um tema sensível que sempre atravessa as negociações bilaterais de biocombustíveis.

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“A Unica e a Bioenergia Brasil reafirmam a confiança de que o governo brasileiro seguirá conduzindo esse processo com responsabilidade, firmeza e competência diplomática, em defesa dos interesses estratégicos do país”

Além do etanol: tensões amplas

A ofensiva americana não se restringe apenas ao setor sucroenergético. A investigação sob a Seção 301 abrange também críticas ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, além de questionamentos sobre políticas de combate ao desmatamento ilegal, propriedade intelectual e combate à corrupção. Essa base jurídica confere à administração americana um poder considerável para impor retaliações diretas.

Apesar da escalada, ainda há uma janela para o diálogo. O USTR estabeleceu um período de consulta pública que se estende até o início de julho. Uma audiência formal está agendada para o dia 6, com a expectativa de uma decisão definitiva sobre as sanções até o dia 15 do mesmo mês.

O futuro desta disputa permanece incerto, mas a indústria brasileira mantém a expectativa de que a diplomacia prevaleça. O setor reforça que o etanol brasileiro é um ativo global estratégico, essencial para a descarbonização da matriz de transportes e para a segurança energética mundial, posicionando-se contra qualquer medida que prejudique a competitividade dessa fonte sustentável de energia.

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