O comércio global no início de 2026 foi significativamente impulsionado pela demanda por inteligência artificial e veículos elétricos, conforme relatório da UNCTAD, atingindo US$ 13,7 trilhões em bens.
Um relatório recente da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), divulgado nesta quarta-feira (22/7), revela uma transformação no cenário do comércio global. As tecnologias emergentes, como a inteligência artificial (IA) e o avanço dos veículos elétricos (VEs), são apontadas como os principais motores do crescimento econômico internacional no primeiro semestre de 2026. Este movimento sinaliza uma reorientação das prioridades de mercado para setores mais inovadores e sustentáveis.
A análise da UNCTAD destaca o impacto direto dessas tendências, com um notável incremento nas trocas de produtos essenciais para a transição energética e a digitalização. A performance robusta desses segmentos contrasta com outros setores de energia, sublinhando a força das novas tecnologias na economia mundial.
Tecnologias Verdes Impulsionam o Comércio de Bens
No primeiro trimestre de 2026, o documento da UNCTAD aponta um crescimento expressivo em categorias chave. O comércio de baterias aumentou 15%, enquanto os minerais críticos, essenciais para a transição energética, registraram um salto impressionante de 38%. Produtos de tecnologia da informação e comunicação viram suas negociações crescerem 14%, e o setor de semicondutores expandiu 25%. Os próprios veículos elétricos apresentaram um aumento de 11% em seu comércio.
Em uma visão mais ampla, o comércio global de bens do setor de energia como um todo cresceu 9%. No entanto, observou-se uma queda nos produtos relacionados à energia solar (7%) e energia eólica (8%), apesar do aumento de 9% no óleo bruto. O valor total do comércio global de bens alcançou aproximadamente US$ 13,7 trilhões no primeiro semestre de 2026, representando um avanço de 12,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O comércio de serviços também registrou um crescimento de 10,5%, contribuindo para um acréscimo de cerca de US$ 2 trilhões ao comércio global e colocando-o no caminho de um valor anual recorde.
Cenário Geopolítico e Econômico Complexo
O relatório da UNCTAD não apenas detalha os números, mas também contextualiza os fatores que moldam este cenário.
“O comércio global vem sendo cada vez mais moldado pela evolução das políticas comerciais e por desdobramentos geopolíticos. Nos Estados Unidos, as negociações comerciais em curso provavelmente manterão elevada a incerteza política, prevendo-se uma antecipação de fluxos comerciais antes de possíveis mudanças nas políticas.”
As tensões geopolíticas, particularmente no Oriente Médio, com a intensificação do conflito entre Irã e EUA, são citadas como elementos negativos que afetam as rotas de transporte marítimo e as cadeias de suprimento. Além disso, a crescente dívida pública em diversas nações e a adoção de restrições geoeconômicas, que visam fortalecer indústrias nacionais, podem limitar as importações e o apoio governamental à demanda interna. Por outro lado, o relatório aponta como fatores positivos o avanço das indústrias verdes e a crescente resiliência das cadeias de suprimento, com empresas diversificando fornecedores e ampliando seus estoques para mitigar riscos.
A ascensão das tecnologias limpas e da inteligência artificial está redefinindo o fluxo do comércio global, traçando um panorama de crescimento notável para 2026. Contudo, a persistência de desafios geopolíticos e macroeconômicos sugere que a sustentabilidade desse avanço dependerá de uma gestão cuidadosa de riscos e de uma maior estabilidade nas relações internacionais, mantendo o setor de energia limpa no foco das atenções.






















