Especialistas reunidos pela FIEE debatem como o planejamento estratégico da energia limpa e o fortalecimento da infraestrutura energética são fundamentais para destravar a mobilidade elétrica e impulsionar a competitividade da indústria brasileira.
A energia deixou de ser apenas um item de custo nas planilhas corporativas e assumiu um papel central na competitividade da indústria moderna.
No entanto, o avanço de projetos voltados para a transição energética e a eletrificação esbarra em um obstáculo crítico: a escassez de uma infraestrutura energética robusta e preparada para as novas demandas do mercado global.
Esses temas cruciais dominaram os debates durante o painel “A indústria eletroeletrônica diante de uma nova agenda de competitividade”, promovido pela FIEE.
O encontro reuniu grandes nomes do setor para discutir gargalos, oportunidades de negócios, eficiência energética e o futuro da mobilidade elétrica no país, conectando inovação tecnológica e estratégias corporativas de longo prazo.
O papel estratégico da gestão energética
A gestão inteligente dos recursos deixou de ser opcional.
Sob a mediação de Silla Motta, o painel contou com a participação de especialistas como Patrícia Cavalcanti, da Schneider Electric; Marcelo Machado, da Abinee; Fernando Oliveira Silveira, da GreenYellow; e Wilson Morais, da ABB Eletrificação, que discutiram caminhos para otimizar operações fabris.
Patrícia Cavalcanti afirmou:
“A energia ocupa uma posição central nesse processo, tanto pela sua importância para a competitividade quanto pela necessidade de garantir segurança e previsibilidade às operações. A FIEE tem um papel relevante ao aproximar quem desenvolve soluções de quem precisa aplicá-las, promovendo conexões capazes de gerar investimentos, oportunidades de negócios e desenvolvimento para a indústria brasileira”
Desafios e dados do setor industrial
O uso intensivo de dados e o planejamento de investimentos em eficiência energética são ferramentas indispensáveis para reduzir custos operacionais.
Segundo dados do Balanço Energético Nacional (BEN), a indústria respondeu por uma fatia expressiva de 36,1% do consumo final de energia elétrica no Brasil.
Apesar disso, pesquisas recentes da CNI indicam que a alta nos tarifas impacta a maioria das empresas, mas os aportes em autogeração e melhorias fabris ainda caminham a passos lentos, evidenciando a necessidade de maior conscientização corporativa.
Eletrificação e os gargalos na mobilidade urbana
O mercado de veículos eletrificados vive um momento de forte expansão no território nacional.
De acordo com a ABVE, o país registrou centenas de milhares de emplacamentos de modelos eletrificados, impulsionando a expansão de eletropostos públicos e semipúblicos em diversas regiões metropolitanas.
Wilson Morais alertou:
“Não adianta lançar um projeto de transformar a frota da cidade inteira em ônibus elétricos se não tem infraestrutura suficiente para levar energia a todas as garagens”
O avanço da eletrificação em frotas públicas esbarra em limitações técnicas na rede de distribuição.
O caso emblemático da Prefeitura de São Paulo demonstra que, embora a capital some milhares de veículos de emissão zero, a expansão encontrou barreiras operacionais ligadas à capacidade energética das garagens, conforme pontuou a gestão municipal.
O debate promovido pela FIEE evidencia que o futuro da sustentabilidade industrial e da transição para uma economia de baixo carbono depende diretamente de investimentos coordenados em infraestrutura energética.
À medida que o Brasil busca acelerar a transição para frotas eletrificadas e processos produtivos mais limpos, o alinhamento entre o setor elétrico, o poder público e as empresas privadas será determinante para superar os gargalos de distribuição e garantir um crescimento econômico seguro e previsível nos próximos anos.












