Novos condomínios na Grande Curitiba estão inserindo a infraestrutura para energia solar ainda na fase de projeto, visando a redução de custos nas áreas comuns e a preparação para o avanço da eletromobilidade.
A busca por eficiência energética deixou de ser um mero diferencial para se tornar prioridade no setor da construção civil. Na Grande Curitiba, novos projetos residenciais já estão sendo projetados considerando o uso de fontes renováveis, com infraestrutura elétrica e estrutural preparada para a futura instalação de painéis fotovoltaicos nas áreas de uso coletivo.
Essa estratégia permite que o condomínio incorpore a energia solar de maneira simples e sem a necessidade de intervenções invasivas ou reformas dispendiosas após a entrega do imóvel. A tendência acompanha a expansão acelerada dessa matriz no país: dados atualizados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que a capacidade instalada de geração solar fotovoltaica atingiu 64,8 GW em 2025, um crescimento de 33,7% em relação ao ano anterior, sendo 44,7 GW pertencentes à geração distribuída.
Para as áreas sociais e operacionais dos edifícios — como sistemas de iluminação, elevadores, portarias, garagens e equipamentos de lazer —, a geração própria de eletricidade representa uma alternativa concreta para atenuar o impacto das tarifas de energia no orçamento das famílias a longo prazo.
Infraestrutura preparada para o futuro
Planejar os projetos considerando novas demandas tecnológicas assegura longevidade aos empreendimentos. A sócia-diretora do Grupo Andrade Ribeiro, Ana Paula Zoller, destaca que a antecipação de soluções energéticas é essencial para garantir a eficiência na gestão predial nos próximos anos.
“Quando projetamos um empreendimento, precisamos pensar não apenas nas necessidades atuais, mas também nas demandas que poderão surgir ao longo dos próximos anos. Entregar uma infraestrutura preparada para a instalação de painéis solares permite que o condomínio tenha mais uma possibilidade de geração de energia sem precisar começar esse processo do zero”
Integração com a eletromobilidade
A necessidade de atualização infraestrutural é reforçada pela mudança nos hábitos de consumo da população, impulsionada pela popularização dos veículos elétricos. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil registrou a venda de 223.912 veículos leves eletrificados em 2025, alta de 26% em relação a 2024. Apenas no estado do Paraná, foram comercializadas 14.024 unidades no período.
O crescimento da eletromobilidade exige que as garagens condominiais estejam prontas para comportar estações de carregamento. Consequentemente, o planejamento energético dos edifícios precisa evoluir para suportar cargas mais elevadas, combinando sistemas de recarga com fontes sustentáveis.
“Estamos falando de uma mudança na forma de pensar o empreendimento. A infraestrutura precisa acompanhar a transformação dos hábitos dos consumidores e oferecer alternativas para que o condomínio possa incorporar novas tecnologias ao longo do tempo”
Aplicações práticas nos condomínios-clube
Um exemplo prático desse novo conceito de construção é o empreendimento Villaggio Parma, desenvolvido pelo Grupo Andrade Ribeiro no município de Fazenda Rio Grande. O projeto foi desenhado desde as fases iniciais com tubulações, espaços técnicos e acessos apropriados para que a gestão do condomínio decida, futuramente, pela implantação do sistema fotovoltaico de forma ágil.
A iniciativa alinha-se ao conceito moderno de condomínios-clube, que oferecem infraestruturas completas de lazer e serviços aos moradores. Por concentrarem mais equipamentos em funcionamento contínuo, esses locais demandam uma carga elétrica expressiva, tornando a autogeração uma aliada indispensável para a manutenção de taxas condominiais equilibradas.
“Quando pensamos em sustentabilidade dentro de um empreendimento, não se trata apenas de uma questão ambiental. Existe também uma dimensão econômica e de planejamento. Preparar o condomínio para soluções que podem gerar eficiência no futuro é uma forma de agregar valor ao imóvel e ampliar as possibilidades de gestão para os moradores”
Projetar edifícios preparados para a energia solar e novas tecnologias consolida um caminho sem volta para o mercado imobiliário. Além de incentivar a sustentabilidade urbana, a iniciativa proporciona valorização patrimonial contínua e garante segurança financeira aos condôminos diante das transformações do setor energético no Brasil.












