Alunorte conquista aval da ANP para ampliar importação diária de GNL em Barcarena, buscando mitigar impactos financeiros e estabilizar sua produção industrial no Pará.
A Alunorte, importante refinaria de alumina operada pela Norsk Hydro em Barcarena, no estado do Pará, conseguiu um avanço regulatório estratégico. A empresa recebeu luz verde da ANP para elevar expressivamente o teto diário de autoimportação de gás natural liquefeito.
A medida surge em um momento de instabilidade no abastecimento energético da unidade fabril. Com o aval governamental, a companhia ganha margem operacional para suprir suas demandas industriais de forma direta, contornando gargalos logísticos na região norte brasileira.
Ampliação do Limite de GNL
O aval da agência reguladora, formalizado no Diário Oficial da União, eleva o patamar máximo diário que a planta industrial pode trazer do exterior. O volume permitido salta de 3,2 mil para 4,5 mil metros cúbicos diários, representando um acréscimo superior a 40% na capacidade regulatória de importação.
A decisão unificada da diretoria da autarquia atende a um pleito da empresa para assegurar a continuidade das operações. Vale destacar que o teto ampliado não obriga o consumo imediato desse patamar, mas garante flexibilidade para a gestão energética da refinaria.
Crise de Suprimento e Custos
A necessidade de buscar alternativas no mercado internacional começou a ganhar força após falhas na entrega do insumo por parte da Celba, ligada à antiga New Fortress Energy, atual Arxen. A quebra contratual obrigou a refinaria a adquirir o combustível no mercado spot, cujos preços costumam ser consideravelmente mais elevados.
O impacto financeiro dessa transição forçada tem pesado nos resultados da multinacional norueguesa. A companhia estima perdas expressivas no segundo semestre, acumulando dezenas de milhões de dólares em custos adicionais para manter suas caldeiras aquecidas e a produção em funcionamento.
A companhia informou que continua buscando uma solução de longo prazo para o fornecimento de gás em condições competitivas, mas não divulgou fornecedores, volumes ou condições das negociações.
Conflito Jurídico e Perspectivas
A tensão entre as partes envolvidas não é recente e já desaguou em instâncias arbitrais. No início do ano, a refinaria acionou a Câmara de Comércio Internacional exigindo reparação milionária por atrasos reiterados no envio do combustível, enquanto a fornecedora rebateu as acusações no âmbito legal.
Enquanto o litígio segue em andamento para definir responsabilidades sobre o contrato de longo prazo assinado em 2021, a gestão da Alunorte foca em assegurar a estabilidade operacional. A prioridade da diretoria é blindar a cadeia produtiva de alumina contra novos sobressaltos e recuperar a competitividade nos mercados globais.












