A EPE propõe que data centers utilizem mecanismos de resposta da demanda para otimizar o sistema elétrico nacional, enquanto o setor debate o papel das fontes renováveis no Redata.
A recente sanção do Redata, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Centers, marca um novo capítulo para a infraestrutura digital brasileira. Com o governo buscando atrair investimentos para o processamento de dados, o debate agora se volta para a eficiência operacional e a sustentabilidade energética dessas instalações de alto consumo.
Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, a integração desses centros ao sistema elétrico exige inteligência estratégica. O gestor defende a inclusão da resposta da demanda no regulamento, uma solução que permite aos data centers atenuarem sua carga nos momentos de pico, evitando a necessidade de expansões onerosas na malha de transmissão.
Eficiência no consumo e infraestrutura
A proposta da EPE foca em transformar grandes consumidores em ativos flexíveis. Ao serem remunerados para reduzir ou deslocar o uso de energia em horários críticos, esses centros garantem estabilidade ao sistema sem que o país precise priorizar investimentos em novas linhas de transmissão apenas para suportar picos isolados.
Então a resposta da demanda é outra ferramenta que a gente pode colocar na mesa para esses data centers responderem sem necessariamente termos que fazer um investimento equivalente em infraestrutura.
Enquanto o governo ainda discute via portaria interministerial se o gás natural será classificado como fonte de baixa emissão no âmbito do Redata, o mercado observa atentamente as diretrizes de descarbonização que guiarão os benefícios fiscais.
O papel estratégico das renováveis
Paralelamente, vozes do setor elétrico, como a Axia Energia, reforçam a importância de privilegiar matrizes limpas. Para a empresa, o crescimento dos centros de dados deve caminhar de mãos dadas com a transição energética, aproveitando o potencial competitivo do Brasil em fontes solares e eólicas.
O vice-presidente da Axia, Juliano Dantas, argumenta que o país já possui arquiteturas tecnológicas capazes de garantir a confiabilidade exigida pelos data centers utilizando 100% de energia renovável. Para o executivo, o Redata é um movimento acertado, mas o Brasil precisa aprimorar os sinais de preço no setor elétrico para atrair capital de forma consistente.
O desafio agora é equilibrar a atração de novas cargas, como a demanda crescente por processamento de dados, com a segurança de um sistema que exigirá expansão constante. A expectativa é que o regramento finalize, em breve, as diretrizes para que esses empreendimentos operem de maneira eficiente, sustentável e plenamente integrada ao SIN (Sistema Interligado Nacional).
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