Atraso em subsídios e redução na importação de diesel pela Petrobras acendem alerta de desabastecimento no Sul do país.
A região Sul do Brasil volta a sentir a pressão por falta de diesel. A estatal Petrobras diminuiu o ritmo de suas importações em setembro, justamente em um momento de alta nos preços internacionais do combustível. Essa redução na oferta, combinada com a demora na regulamentação de um subsídio prometido pelo governo, está gerando apreensão entre as distribuidoras, especialmente em um período crítico para o agronegócio.
O cenário se agrava com a proximidade do plantio da safra de verão, quando a demanda por diesel costuma aumentar consideravelmente. O mercado esperava a publicação da portaria do Ministério da Fazenda que detalharia o subsídio adicional de R$ 1 por litro de diesel. Contudo, até o momento, o documento não foi divulgado, gerando incertezas e forçando a Petrobras a aguardar a regulamentação para possíveis ajustes nos preços e volumes.
Volatilidade nas Importações da Estatal
Dados recentes revelam que a Petrobras tem sido uma das principais importadoras de diesel S10 no país desde março. No entanto, o volume de suas importações tem oscilado significativamente, refletindo tanto as variações nos preços globais quanto as mudanças nas políticas de subsídios. Essa instabilidade na oferta da estatal levanta questões sobre a previsibilidade do abastecimento.
A companhia, por sua vez, defende que o volume importado está alinhado com a demanda de mercado e que o abastecimento nacional é uma responsabilidade compartilhada entre diversos agentes. Segundo a Petrobras, as importações para setembro e outubro estão planejadas para atender à sazonalidade típica do período, que inclui o escoamento das safras agrícolas.
Crise de Abastecimento e o Papel dos Agentes Privados
A defasagem entre o preço de paridade de importação (PPI) e os valores praticados no mercado interno tem sido uma constante. Desde junho, o PPI do diesel acumulou uma alta considerável, enquanto o subsídio federal permaneceu estagnado. Essa diferença, quando não coberta por subvenções, pressiona o mercado e torna a importação privada mais atrativa.
Agentes privados têm sido responsáveis pela maior parte das importações de diesel S10 desde março, suprindo uma parcela significativa da demanda que a Petrobras não tem conseguido atender integralmente com seu parque de refino e importações. A estatal, contudo, tem argumentado que comunica os volumes disponíveis com antecedência aos distribuidores, que seriam responsáveis por planejar o suprimento complementar.
A Realidade no Sul do País
No Rio Grande do Sul, especificamente nas regiões de Canoas e Rio Grande, a discrepância entre os pedidos de diesel das distribuidoras à Petrobras e os volumes aprovados pela estatal tem crescido. Em 2025, a companhia atendia à quase totalidade das solicitações, mas em 2026, a taxa de aprovação caiu para cerca de 78% no diesel S10 e S500.
Essa situação gera preocupações para o setor agrícola, que depende do diesel para as operações de plantio e colheita. A expectativa é que a regulamentação do novo subsídio traga um alívio, mas a capacidade de resposta da Petrobras às demandas crescentes e a estabilidade das importações continuarão sendo fatores cruciais para evitar um choque de abastecimento no mercado brasileiro.
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