Decreto abre mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão

Decreto abre mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão
Decreto abre mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão | Reprodução: Freepik / Pixabay
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O Governo Federal oficializou a abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão, prometendo mais liberdade de escolha e potencial redução na conta de luz a partir de 2027.

O setor elétrico brasileiro vive um momento histórico com a assinatura de novos decretos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (12). A medida mais aguardada regulamenta a expansão do mercado livre de energia para unidades de baixa tensão, permitindo que comércios, pequenas indústrias e, posteriormente, residências possam negociar diretamente o fornecimento de eletricidade com diferentes empresas, rompendo com o modelo atual de exclusividade das distribuidoras regionais.

Este avanço no marco regulatório do setor elétrico será implementado de forma escalonada. De acordo com as diretrizes governamentais, o acesso ao ambiente de contratação livre será liberado para o segmento comercial e industrial já em novembro de 2027, enquanto os consumidores residenciais deverão ser incluídos no sistema em novembro de 2028.

Impactos na conta de luz e concorrência

A expectativa central do governo é que a abertura fomente a competitividade entre geradores e comercializadores, pressionando os preços para baixo. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a disparidade atual, ressaltando que, enquanto grandes indústrias já desfrutam de custos menores no mercado livre, o consumidor comum permanece limitado.

Geraldo Alckmin afirmou:

Hoje, os grandes consumidores conseguem ter acesso ao mercado livre e comprar energia 23% mais barata, mas o consumidor de baixa tensão ainda não consegue. O decreto permite que, no ano que vem, o comércio e a pequena indústria entrem no mercado livre e, em seguida, o consumidor residencial. Isso vai ajudar a reduzir o preço da energia.

É importante ressaltar que a tarifa de energia continuará composta por tributos e encargos setoriais. Além disso, a infraestrutura de distribuição permanecerá sob responsabilidade das concessionárias locais, garantindo a manutenção da rede elétrica. A ANEEL será a responsável por refinar os detalhes operacionais desta transição.

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Segurança e inovação no mercado

Para viabilizar essa mudança, o decreto introduz o “Supridor de Última Instância”, uma camada de segurança essencial para proteger o consumidor caso o fornecedor escolhido interrompa suas atividades. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enfatizou que o processo de migração será transparente e simplificado, acompanhando a evolução vista na alta tensão, que já conta com milhares de participantes.

Solange Ribeiro, presidente do Conselho de Administração do ONS e vice-presidente da Neoenergia, reforçou a importância do marco:

É sobre o alicerce da confiança e do investimento que damos um passo muito importante: a regulamentação do mercado de energia. É uma mudança que transforma a relação com o consumidor e o coloca no centro do mercado. A liberdade de escolha é a essência dessa transformação.

Nova era da energia sustentável

Além do mercado livre de energia, o pacote de decretos abrange pilares fundamentais da transição energética:

  • Combustível Sustentável de Aviação (SAF): A regulamentação do ProBioQAV estabelece metas graduais de descarbonização para voos domésticos, com potencial de movimentar R$ 39 bilhões em investimentos até 2033.
  • Armazenamento de Carbono: Regras para captura e estocagem geológica de CO₂ visam reduzir emissões industriais, com projeção de atrair R$ 16 bilhões anuais para o país.
  • Hidrogênio de Baixa Emissão: O novo marco legal define critérios de certificação e fiscalização, posicionando o hidrogênio verde como peça-chave para a descarbonização de indústrias pesadas e transportes.

Essas ações confirmam o compromisso brasileiro em modernizar sua matriz energética, colocando o Brasil como protagonista global na oferta de energia limpa e competitiva para o mercado interno e para o futuro da indústria sustentável.

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