A China concluiu com sucesso a instalação de um parque eólico de 100 MW no Tibete, operando a uma altitude média de 5.020 metros em meio a condições climáticas extremas.
Em um feito de engenharia que desafia os limites geográficos, a China inaugurou, em outubro de 2026, uma das usinas de energia renovável mais ambiciosas do mundo. Localizado na cidade de Nagqu, no Tibete, o parque eólico de Jicuo está posicionado a uma altitude média impressionante de 5.020 metros, onde o ar rarefeito e o frio glacial impuseram barreiras sem precedentes para a construção civil e a instalação de maquinário pesado.
O projeto, liderado pela estatal CHN Energy, representa um marco na exploração de recursos energéticos em altitudes extremas. Com 18 turbinas gigantescas em operação, a usina promete injetar cerca de 211 milhões de quilowatts-hora de energia limpa anualmente na rede elétrica regional, fortalecendo o abastecimento em uma das zonas mais isoladas e de difícil acesso do planeta.
Engenharia de precisão sob pressão
A construção do complexo exigiu soluções logísticas e técnicas criativas. Além da dificuldade óbvia de transportar peças de grandes dimensões por rodovias montanhosas, as equipes enfrentaram a necessidade de adaptar materiais às flutuações térmicas severas. O concreto utilizado nas fundações, por exemplo, passou por um processo rigoroso de controle de temperatura e cura para evitar fissuras causadas pelo solo permanentemente congelado.
A montagem das torres dependeu de janelas meteorológicas restritas. O monitoramento constante da velocidade dos ventos era vital, já que rajadas intensas frequentemente impediam o trabalho dos guindastes. O suporte aos trabalhadores foi outro pilar central da obra, envolvendo protocolos rigorosos de saúde, incluindo o uso de oxigênio suplementar para mitigar os efeitos da baixa pressão atmosférica.
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A complexidade do projeto em Jicuo serve como um modelo global para o desenvolvimento de infraestruturas de energia em ambientes de alta altitude, onde a resistência estrutural e a resiliência operacional são exigências indispensáveis para a viabilidade do sistema.
Adaptação tecnológica e estabilidade energética
Um dos maiores desafios técnicos enfrentados pela equipe de engenharia foi a baixa densidade do ar nas altitudes do Planalto Tibetano. Como o ar rarefeito reduz a eficiência da captura de vento, as turbinas foram equipadas com rotores de aproximadamente 200 metros de diâmetro. Essa ampliação na área de varredura das pás permite que os equipamentos compensem a falta de densidade atmosférica, garantindo uma geração de energia estável mesmo em condições adversas.
Para otimizar a entrega de energia, o parque foi integrado a um sistema de armazenamento em baterias, com capacidade de 20 MW e 80 MWh. Esta tecnologia de “formação de rede” é essencial para manter a estabilidade da voltagem e da frequência na rede elétrica local, mitigando as intermitências naturais da geração eólica.
Com a operação consolidada, o governo chinês enxerga no projeto de Jicuo o futuro do desenvolvimento energético em áreas remotas. A expectativa é que a usina não apenas impulsione a transição para energias renováveis, mas também assegure a estabilidade necessária para o aquecimento e o consumo residencial durante o rigoroso inverno tibetano, servindo como um laboratório prático para tecnologias de energia verde em grandes altitudes.









