A Potigás enxerga no avanço do mercado livre de gás uma oportunidade estratégica para expandir o uso do biometano no Rio Grande do Norte, superando entraves de precificação.
A transição energética no Nordeste brasileiro ganha novos contornos com a estratégia da Potigás para consolidar fontes renováveis no estado. A distribuidora estadual identifica na expansão do mercado livre de gás natural uma abertura fundamental para alavancar a produção e a comercialização do biometano no território potiguar.
Em participação no evento EVEx Lisboa 2026, a diretora-presidente da companhia, Marina Melo, apontou que a estruturação desse novo cenário exige planejamento refinado. Segundo a executiva, o ciclo até 2027 será determinante para desenhar a atuação da empresa frente às novas demandas do setor elétrico e industrial.
Desafios na precificação e valorização ambiental
Apesar do otimismo com a abertura de mercado, a precificação do combustível renovável permanece como o principal gargalo operacional no Rio Grande do Norte. A abundância de outras fontes limpas na região dificulta a cobrança de um valor adicional pelo atributo sustentável da molécula de gás.
Diante da crescente migração de clientes para o ambiente livre de contratação, a concessionária aposta no desenvolvimento de projetos customizados para viabilizar o consumo nos próximos anos.
A executiva afirmou:
“A gente tem uma questão que ainda é importante, que é a questão da precificação, mas agora a gente tem entendido que está tendo muita migração para consumidor livre. A gente tem apostado que essa pode ser uma possibilidade de desenvolvimento do mercado para a gente lá também.”
A necessidade de flexibilidade nas metas nacionais
A regulamentação prevê a elevação do mandato de inserção do biometano na rede para 1% a partir de 2027. Para a liderança da Potigás, embora a medida induza o crescimento da cadeia, é indispensável considerar as disparidades regionais do país.
Mercados em diferentes estágios de maturação enfrentam realidades econômicas distintas para absorver os custos do atributo ambiental estipulados em âmbito nacional.
A diretora destacou:
“No Brasil é muito claro que a gente tem diferentes regiões e diferentes níveis de desenvolvimento. Então, para alguns mercados isso é mais factível do que para outros.”
Expansão da rede e logística industrial
Paralelamente aos estudos sobre energias renováveis, a Potigás celebrou a conclusão do projeto Gás Sal, considerado o seu maior investimento recente em infraestrutura de distribuição. O empreendimento estendeu a rede de gasodutos até o município de Areia Branca.
A região beneficiada é estratégica para a economia do país, sendo responsável por cerca de 90% de todo o sal consumido no Brasil. Com a infraestrutura consolidada, a distribuidora garante segurança operacional enquanto estrutura novos negócios na área de gás sustentável.
O amadurecimento do mercado livre e a integração gradual do biometano prometem redefinir a competitividade do estado. O equilíbrio entre metas regulatórias adaptadas e investimentos em infraestrutura será a chave para impulsionar a matriz energética local.









