A experiência chinesa em cortes de energia renovável oferece lições valiosas para o Brasil mitigar perdas financeiras sem onerar o consumidor.
A complexa questão dos cortes de geração de energia, conhecida como curtailment, que afeta o sistema elétrico brasileiro, pode encontrar paralelos e soluções em experiências internacionais. Silvia Rocha, diretora jurídica e de compliance da CGN Brasil, destacou em entrevista recente que a China enfrentou desafios semelhantes há cerca de uma década e desenvolveu estratégias eficazes para contornar o problema.
Rocha explicou que a empresa possui projetos cujos ativos sofrem perdas de geração significativas, chegando a 40% ou 50% em um único dia. Esse cenário, similar ao vivenciado pela China entre 2015 e 2016, motivou a busca por diversas frentes de mitigação. A executiva ressaltou a importância de buscar alternativas para diluir os impactos financeiros decorrentes desses cortes, evitando que o ônus recaia diretamente sobre a conta de luz do consumidor brasileiro.
Desafios e parcerias na transição energética
A CGN, empresa de origem chinesa com forte atuação global em geração nuclear e foco em energias eólica e solar no Brasil, acompanha com atenção os cortes de geração promovidos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Embora demonstrem preocupação com a velocidade com que o Brasil aborda essas questões, os executivos da CGN confiam na capacidade de adaptação, dada a longa parceria de mais de 50 anos entre Brasil e China.
Rocha salientou que a presença e os negócios de empresas chinesas no Brasil não são novidade, o que facilita a compreensão mútua dos desafios. A experiência adquirida pela China em situações de curtailment, especialmente no setor de energias renováveis, posiciona o país como um parceiro estratégico para o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis no setor energético brasileiro.
Entendendo os cortes de geração
Os curtailments na geração de energia podem ocorrer por diversas razões interligadas. A falta de infraestrutura adequada de transmissão, incluindo linhas danificadas ou com cronogramas de expansão atrasados, é um fator relevante. Nesses casos, o gerador pode ser ressarcido por não ser o responsável direto pelo problema. Outra causa comum é o atingimento do limite de capacidade das linhas de transmissão, impedindo o escoamento da energia gerada, especialmente em momentos de pico de produção de fontes intermitentes como a eólica e a solar.
Além disso, o excesso de oferta de energia em relação à demanda ou à capacidade de escoamento pode levar a decisões de reduzir a geração para manter a estabilidade do sistema. A expertise chinesa em gerenciar esses cenários complexos, combinada com a sua crescente presença no mercado brasileiro de energia limpa, sugere um caminho promissor para o aprimoramento da resiliência e eficiência do setor elétrico nacional.




















