A Light projeta sair da recuperação judicial no segundo semestre após renovar sua concessão por 30 anos, garantindo um robusto aporte financeiro e o retorno ao mercado de crédito.
A distribuidora de energia Light deu um passo decisivo para sua reestruturação definitiva. Com a recente renovação de seu contrato de concessão por mais três décadas, a companhia planeja uma injeção de capital de até R$ 3,7 bilhões nos próximos 90 dias, visando encerrar o período de recuperação judicial ainda este ano. O movimento marca o início de uma nova fase estratégica para a empresa, que atende a milhões de consumidores no Rio de Janeiro.
O CEO da Light, Alexandre Nogueira, destacou que, após superar essa etapa crítica, a empresa pretende retomar sua presença ativa no mercado financeiro já em 2026. A estratégia inclui a possibilidade de emissão de novos títulos de dívida, como debêntures, para viabilizar o plano de investimentos exigido pelo novo acordo regulatório.
O fim da recuperação judicial e o cronograma de capitalização
A trajetória da empresa na recuperação judicial, que completa três anos nesta terça-feira (12), está chegando ao fim graças à estabilidade contratual conquistada. O planejamento financeiro da companhia prevê um aumento de capital liderado por investidores de peso, como Ronaldo César Coelho e Carlos Alberto Sucupira, além da conversão de R$ 2,2 bilhões de passivos em participação acionária (equity).
“Esses serão os dois últimos atos do processo. Uma vez finalizados, pedimos para o juiz a retirada da RJ. Nossa expectativa, portanto, é sair no segundo semestre”, afirmou Alexandre Nogueira.
Investimentos e sustentabilidade operacional
Para cumprir as metas estabelecidas no novo contrato, que demandam R$ 10 bilhões em investimentos até 2030, o acesso ao crédito é um pilar fundamental. Segundo a direção da Light, a sustentabilidade da empresa está apoiada em três eixos principais: financeiro, operacional e regulatório.
No campo financeiro, a distribuidora conseguiu alongar seus compromissos até 2038, reduzindo o valor líquido da dívida para R$ 4,5 bilhões. Do ponto de vista operacional, houve uma melhora significativa no atendimento ao cliente, com a redução drástica do tempo de espera para restabelecimento de energia — o indicador saiu de 1.424 minutos, em 2022, para o patamar atual de 500 minutos.
Por fim, o novo marco regulatório trará um rigor maior no combate ao furto de energia em áreas de restrição severa, com o suporte de novos cálculos da Aneel para mitigar perdas. Com essas medidas, a Light projeta figurar entre as empresas mais eficientes do setor elétrico nos próximos três anos, consolidando sua recuperação e capacidade de operação sustentável.




















