Nova ferramenta da Aurora Energy Research projeta redução de perdas na geração de energia até 2030.
A Aurora Energy Research apresentou uma nova metodologia para analisar o curtailment (cortes de geração de energia) no Brasil. As projeções iniciais, baseadas em um modelo nodal detalhado, indicam uma tendência de queda significativa nesse fenômeno até o final da década.
Atualmente, o curtailment representa um desafio considerável para o sistema elétrico brasileiro, com perdas de geração próximas a 21% em 2025. No entanto, a expectativa é que essa realidade mude. A expansão da infraestrutura de transmissão, a incorporação de sistemas de armazenamento em baterias e o aumento da demanda por novas fontes, como data centers e a produção de hidrogênio verde, devem impulsionar uma redução de 8 a 12 pontos percentuais nos cortes até 2030.
O desenvolvimento da nova ferramenta pela Aurora Energy Research foi motivado pela dificuldade do mercado em prever com precisão os cortes de geração em nível de ativo. Essa falta de clareza impacta diretamente investidores e desenvolvedores na precificação de riscos e na definição de estratégias de investimento. O modelo aprimorado permite uma análise mais granular, considerando a complexidade da rede elétrica brasileira e as condições operacionais em tempo real.
Uma mudança estrutural também é esperada na natureza do curtailment. Se hoje as restrições na rede de transmissão são o principal fator, a partir da década de 2030, o excesso de oferta de energia e o balanço entre demanda e geração devem se tornar os principais impulsionadores dos cortes. A expectativa é que, com essas transformações, a distribuição das perdas se torne mais equitativa entre os diversos ativos de geração.
Matheus Dias, Gerente de Projetos da Aurora Energy Research, destaca a dualidade do fenômeno: “No curto prazo, as restrições de rede ainda são um peso relevante. Com as obras de transmissão previstas, esse componente deve diminuir. Por outro lado, o corte energético, ligado ao balanço entre oferta e demanda, ganhará protagonismo após 2030.” A integração de baterias, tanto em nível local quanto sistêmico, será crucial para mitigar esses impactos e garantir o equilíbrio energético do país.























