O encarecimento da energia elétrica em 2024 resultou na perda de R$ 9,3 bilhões em competitividade para o Brasil, impactando a eficiência econômica e gerando apreensão no setor.
A economia brasileira registrou uma perda significativa em seu potencial de eficiência energética em 2024, com um déficit de R$ 9,3 bilhões. Essa reversão interrompe um ciclo de melhorias que vinha sendo observado desde 2021, conforme aponta um estudo recente do Movimento Brasil Competitivo (MBC) para o Observatório do Custo Brasil.
O levantamento indica que a capacidade de o país equiparar suas tarifas de energia aos padrões médios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) diminuiu. Enquanto em 2023 o potencial de economia era de R$ 113,7 bilhões, em 2024 este valor caiu para R$ 104,4 bilhões. Considerando um potencial total de redução de custos de R$ 121,3 bilhões, o Brasil agora capta apenas 86% deste montante, evidenciando um cenário tarifário menos favorável.
Mercado Livre Sofre Reviravolta nos Preços
Um dos principais responsáveis por essa deterioração foi o aumento nos preços da energia negociada no mercado livre. Após um período de queda consecutiva, saindo de R$ 441,7 por megawatt-hora (MWh) em 2021 para R$ 354,9/MWh em 2023, o valor médio reverteu a tendência, atingindo R$ 438,5/MWh no ano passado.
Essa disparada nos custos da eletricidade afeta diretamente as operações da indústria e de setores que demandam grande quantidade de energia. Margens de lucro menores, decisões de investimento adiadas e um consequente repasse de custos nas cadeias produtivas são alguns dos reflexos imediatos. O estudo ressalta que este encarecimento ocorre em um contexto onde a carga tributária e os encargos setoriais já representam mais de 45% da conta de luz, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Reforma Regulatória: Chave para a Recuperação
Diante deste cenário, a modernização do arcabouço regulatório do setor elétrico é vista como essencial para reverter a perda de competitividade. O MBC destaca avanços recentes, como o estabelecimento de um teto para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a manutenção de vetos a medidas que poderiam elevar os custos do sistema.
Contudo, a persistência de mecanismos de contratação compulsória de certas fontes de geração ainda representa um fator de pressão sobre as tarifas em longo prazo. Tatiana Ribeiro, gerente-executiva do Observatório do Custo Brasil, reforça o potencial do país em otimizar seu setor elétrico. “O Brasil possui vantagens importantes na geração de energia limpa, mas ainda convive com custos estruturais que limitam parte desse potencial competitivo”, afirma.
A expectativa é que as mudanças regulatórias comecem a surtir efeito entre 2026 e 2027. A definição de políticas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sobre limites da CDE, formação de preços e regras de transição para consumidores de baixa tensão será crucial.
“A nova legislação representa um avanço importante para o ambiente de negócios e para a modernização do setor elétrico brasileiro. Agora, a etapa de regulamentação será fundamental para garantir previsibilidade, ampliar a concorrência e permitir que os benefícios econômicos cheguem de forma gradual a empresas e consumidores”, comenta Tatiana Ribeiro.
A discussão sobre o custo da energia segue no centro do debate econômico. A expansão do mercado livre, combinada com a racionalização de encargos e a clareza regulatória, é vista como fundamental para que a matriz energética predominantemente renovável do Brasil se traduza em redução de custos efetiva para todos.






















