A Academia Nacional de Engenharia encerrou seminário em Santa Catarina alertando para a queda na formação técnica e destacando desafios essenciais como a transição energética, a inovação industrial e o combate à evasão universitária.
O encerramento do Seminário ANE 2026 — “O Futuro da Engenharia no Brasil”, sediado na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), em Florianópolis, trouxe à tona discussões cruciais para o avanço da infraestrutura e da inovação no país.
Diante de líderes industriais, pesquisadores e gestores públicos, a Academia Nacional de Engenharia (ANE) convocou os setores produtivo e acadêmico para uma mobilização urgente voltada ao fortalecimento do ensino técnico e científico.
O evento destacou dados preocupantes sobre o cenário educacional brasileiro, que impactam diretamente a capacidade do país de liderar projetos de desenvolvimento sustentável.
O presidente da entidade, Mário Menel, enfatizou a urgência de reagir à retração no número de novos profissionais, ressaltando o papel da engenharia na construção das soluções do futuro.
Segundo dados do Censo do Ensino Superior apresentados no encontro, o Brasil registrou apenas 39 graduados em engenharia por 100 mil habitantes em 2024 — uma queda de 15% em relação ao ano anterior.
Em Santa Catarina, o cenário é igualmente desafiador: cerca de 60% dos estudantes que ingressam nas faculdades abandonam os cursos antes de concluir a graduação, o que acende um alerta sobre a necessidade de reformulação no setor.
Práticas pedagógicas e o combate à evasão universitária
Durante os debates sobre a formação acadêmica, a mesa coordenada por Sérgio Gargioni e com relatoria de José Roberto Boisson reuniu especialistas como Emílio Matsuo, Flávio Grynszpan, Ernesto Heinzelmann, Adriana Maria Tonini (presidente da ABENGE), Márcio Filipe Crippa (da UniSENAI/SC) e Erwin Werner Teichmann (do IFSC).
A principal meta defendida pelos painelistas foi conter a evasão universitária por meio de currículos transversais e alinhados às demandas reais do mercado.
Para aproximar os jovens das carreiras tecnológicas desde cedo, o seminário destacou a iniciativa EngenhAção, desenvolvida em parceria com o Grupo ND, voltada a estudantes do ensino fundamental e médio no estado.
Transição energética e matriz elétrica em pauta
A agenda do seminário dedicou atenção especial ao papel estratégico da engenharia na sustentabilidade.
Painéis focados na matriz elétrica brasileira discutiram a estabilidade e a regulação necessárias para suportar a transição energética e a expansão da energia limpa no país.
Os especialistas reforçaram que a segurança energética e a evolução da bioindústria, com destaque para a produção de biofertilizantes, dependem diretamente de mão de obra altamente qualificada.
Como destacou o presidente da ANE, Mário Menel:
A engenharia que o Brasil precisa começa pelas pessoas que decidimos formar hoje.
Soberania tecnológica e próximos passos
Além da agenda de energia e educação, as plenárias abordaram a soberania tecnológica, explorando avanços em inteligência artificial, robótica industrial e a cadeia de suprimentos de terras raras.
O protagonismo feminino no setor também ganhou destaque através das discussões promovidas pelo programa “Nós da ANE”.
Como resultado prático do evento, a ANE anunciou que todo o conteúdo debatido será compilado no “Livro do Seminário ANE 2026”, reunindo artigos de especialistas e recomendações técnicas para subsidiar tomadores de decisão públicos e privados.
A consolidação da Aliança pelo Futuro da Engenharia no Brasil selou o compromisso de articular ações permanentes entre instituições e a indústria para garantir o crescimento sustentável das próximas décadas.









