Às vésperas da COP31, especialistas apontam que o Brasil precisa urgentemente valorar o metano evitado para cumprir compromissos climáticos e destravar investimentos.
A gestão de resíduos no Brasil enfrenta um dilema que vai muito além das planilhas financeiras municipais.
Enquanto aterros sanitários ainda são vistos como a solução mais prática para o lixo urbano, o custo invisível desse modelo se acumula na atmosfera: o metano.
À medida que o país se prepara para a COP31, marcada para novembro deste ano em Antália, na Turquia, o desafio de mitigar esse gás torna-se um teste decisivo.
Apesar da adesão ao Compromisso Global do Metano em 2021 — que visa uma redução de 30% nas emissões até 2030 —, o progresso tem sido lento.
Relatórios recentes do Pnuma indicam que os planos atuais das nações são insuficientes, alcançando apenas uma fração do que é necessário.
Com o metano sendo responsável por 30% do aquecimento global, o Brasil encontra-se sob pressão para converter promessas em ações concretas.
O gargalo na gestão de resíduos
Atualmente, o setor de resíduos é um dos grandes vilões das emissões nacionais.
De acordo com o Observatório do Clima, a disposição de detritos em aterros e lixões responde por quase dois terços das emissões de CO₂ equivalente do segmento.
Embora a transição tenha sido um avanço, o modelo atual falha ao ignorar o potencial de transformação desses materiais em ativos de energia.
Tecnologias como a Recuperação Energética de Resíduos demonstram que é possível gerar eletricidade enquanto se reduz drasticamente a emissão de gases.
Projetos como a URE Barueri, na Grande São Paulo, exemplificam o futuro do setor.
Contudo, a velocidade de implementação ainda é insuficiente frente à meta estabelecida pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos.
Especialistas apontam:
Nada disso significa opor a recuperação energética à reciclagem. A ordem de prioridades deve ser respeitada, e o trabalho dos catadores, preservado.
Caminhos para a viabilidade econômica
O principal obstáculo para a expansão dessas usinas não é a ausência de metas, mas a falta de um ecossistema econômico que reconheça o valor ambiental do metano.
Especialistas defendem a implementação de instrumentos financeiros como créditos de longo prazo e uma precificação de emissões.
O cenário legislativo também ganha tração com o PL 3.311/2025.
Conhecido como o Programa Nacional do Metano Zero, o projeto prevê a certificação dos benefícios ambientais, integrando a gestão de resíduos à produção de energia.
A proposta que tramita no Senado é vista como uma ferramenta fundamental para dar suporte jurídico aos investimentos privados.
O sucesso do Brasil na COP31 dependerá da capacidade do governo de integrar políticas públicas, saneamento e tecnologia.
O país já estabeleceu metas ambiciosas de redução de emissões para 2035.
Agora, o passo definitivo será o reconhecimento do metano no balanço nacional para limpar a atmosfera e alimentar a rede elétrica.









