O dólar encerrou a semana em alta, superando os R$ 5,50 impulsionado por dados positivos de emprego nos Estados Unidos e incertezas fiscais no cenário doméstico brasileiro.
O mercado financeiro registrou forte volatilidade no encerramento da semana. O dólar intensificou sua trajetória ascendente no cenário nacional, acompanhando a tendência de valorização registrada no exterior.
A moeda norte-americana encerrou a sessão negociada a R$ 5,5087, apresentando uma elevação de 0,37% no mercado à vista. Com esse resultado, o câmbio acumula um avanço semanal de 1,18%, atingindo o patamar de fechamento mais elevado dos últimos tempos.
A movimentação reflete a combinação de fatores externos robustos com a cautela dos investidores locais diante do panorama fiscal do país.
Pressão externa e mercado acionário
Embora tenha iniciado o dia ensaiando uma retração passageira em busca de ajuste, a divisa mudou de rumo após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll.
Os números vieram acima do esperado pelas projeções financeiras, fortalecendo a moeda americana globalmente. O indicador DXY, que mensura a força do dólar frente a uma cesta de moedas globais, registrou alta de 0,76%, alcançando 102,3100 pontos.
Paralelamente, a B3 fechou a sexta-feira com viés negativo. O desempenho foi pressionado por um movimento de realização de lucros e pela postura defensiva dos grandes investidores institucionais.
Reavaliação no setor bancário
A apreensão com o cenário macroeconômico levou o Banco Safra a promover revisões expressivas em suas análises sobre as grandes instituições financeiras brasileiras.
Os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre rebaixaram a recomendação para o Banco do Brasil de neutra para venda. A instituição também reduziu o preço-alvo do ativo para R$ 19.
Outras gigantes do setor também tiveram estimativas cortadas. As recomendações para o Bradesco e para o Itaú foram ajustadas para o patamar neutro, refletindo projeções mais conservadoras para os próximos anos.
Posicionamento do governo e visão fiscal
Em meio ao clima de cautela dos mercados, o presidente Lula da Silva defendeu a condução econômica da sua gestão durante reunião do CNPE. O chefe do Executivo enfatizou o compromisso com o equilíbrio das contas sem deixar de lado as prioridades sociais.
Durante o evento, o presidente questionou as métricas adotadas pela análise financeira para mensurar o endividamento público e destacou a busca por maior autonomia econômica nacional.
O presidente Lula da Silva declarou:
“Se a gente for analisar a nossa dívida de verdade, ela nem é tudo o que aparece… se coloca como dívida pública brasileira o que não é.”
Perspectivas e próximos passos
O alinhamento entre indicadores americanos aquecidos e dúvidas fiscais no ambiente interno mantém os ativos locais sob pressão.
Nas próximas sessões, os agentes financeiros devem continuar monitorando os desdobramentos orçamentários do governo e novos dados macroeconômicos globais para definir o rumo do mercado.









