A Finep aprovou financiamento de R$ 13,2 milhões para o projeto HYDROGT, focado no desenvolvimento de uma microturbina inédita no Brasil para converter hidrogênio verde em eletricidade e calor.
A busca por matrizes energéticas mais limpas e sustentáveis acaba de dar um passo histórico no Brasil. A Finep, agência de fomento à inovação vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aprovou um financiamento robusto para impulsionar o desenvolvimento tecnológico nacional. Trata-se do projeto HYDROGT, uma iniciativa pioneira para criar uma microturbina a gás capaz de operar integralmente com hidrogênio verde ou combustíveis de baixa emissão de carbono.
Com um investimento total previsto em R$ 22,2 milhões — sendo R$ 13,2 milhões injetados diretamente via recursos de subvenção econômica pela Finep —, a iniciativa promete transformar o cenário da transição energética industrial no país. O projeto foi oficialmente contratado no âmbito da chamada pública “Mais Inovação Brasil – Transição Energética”, reforçando o compromisso governamental com a descarbonização e o fomento à pesquisa aplicada.
Inovação e Versatilidade para a Indústria
O grande objetivo da tecnologia é converter o hidrogênio verde em eletricidade e calor de forma eficiente. Segundo Newton Hamatsu, superintendente da Área de Transição Energética e Infraestrutura na Finep:
A iniciativa busca desenvolver e validar uma solução com tecnologia nacional para converter hidrogênio em eletricidade e calor, ampliando as alternativas para a descarbonização de atividades industriais e a diversificação da matriz energética. Entre as aplicações potenciais estão geração distribuída, cogeração industrial, sistemas isolados, geração de emergência e data centers, que demandam fornecimento confiável de energia.
Essa versatilidade posiciona a nova microturbina como uma peça-chave para diversos setores estratégicos que necessitam de alta confiabilidade energética, unindo sustentabilidade e segurança de suprimento em um único equipamento nacional.
Tecnologia de Ponta e Engenharia Nacional
Desenvolver turbinas a gás movidas a hidrogênio verde representa um desafio de alta complexidade técnica. Os pesquisadores e engenheiros envolvidos lidam diariamente com questões críticas de aerodinâmica, materiais altamente resistentes a temperaturas extremas e sistemas avançados de controle de combustão.
O sucesso do projeto reside na forte união entre a experiência industrial da Hacker Industrial, de Santa Catarina, e a expertise da DDB Engenharia, do Paraná. O consórcio também conta com a inteligência acadêmica da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), garantindo embasamento científico de ponta para a solução.
Arquitetura Inovadora e Ciclo Brayton
Para superar os desafios operacionais do hidrogênio verde, a microturbina utiliza uma arquitetura avançada de ciclo Brayton modificado. O design conta com um combustor externo dedicado exclusivamente ao hidrogênio, além de um combustor complementar multicombustível e um trocador de calor indireto de alta temperatura.
Essa engenharia inteligente evita o contato direto entre os gases de combustão e os componentes rotativos da turbina. Como resultado, o equipamento ganha maior vida útil e flexibilidade operacional, podendo transitar facilmente entre diferentes misturas combustíveis até operar 100% com fontes renováveis.
O projeto HYDROGT está perfeitamente alinhado à Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), impulsionando a bioeconomia e a segurança energética. A iniciativa consolida o papel fundamental do fomento público na criação de tecnologias genuinamente brasileiras, fundamentais para a competitividade industrial global e para um futuro sustentável na geração de energia limpa.









