Grupo Maringá dobra capacidade de bioeletricidade e mira novos mercados energéticos.
A Usina Jacarezinho, parte integrante do Grupo Maringá, celebrou um marco significativo em sua trajetória com a inauguração da Maringá Energia II. Este novo empreendimento, fruto de um investimento aproximado de R$ 200 milhões, representa um salto na estratégia da companhia de posicionar a geração de energia como um dos pilares centrais de seus negócios. A expansão praticamente dobra a capacidade instalada de bioeletricidade da unidade, elevando-a de 25 MW para 50 MW com a ativação de um moderno turbogerador de 25 MW.
Com essa ampliação, toda a energia excedente da Usina Jacarezinho será direcionada para comercialização no competitivo mercado livre. Paralelamente, o grupo tem diversificado seu portfólio energético com a aquisição de duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e já delineia planos para incursões futuras no promissor setor de biogás e biometano. A expectativa é que a usina produza anualmente entre 212 mil e 215 mil MWh, com cerca de 74% dessa geração destinada à venda. A matéria-prima utilizada é exclusivamente biomassa própria, proveniente do bagaço da cana-de-açúcar.
## Energia se consolida como negócio principal
A virada estratégica da Usina Jacarezinho para a comercialização de energia teve início em 2019, com a entrada em operação da Maringá Energia I. Anteriormente, toda a produção era voltada para o autoconsumo, garantindo a autossuficiência da usina. A primeira fase já havia equipado a unidade com um turbogerador de 25 MW, substituindo sistemas antigos por tecnologias mais eficientes e viabilizando a exportação de cerca de 10 MW.
A atual expansão, com a Maringá Energia II, consolida essa vocação exportadora. O novo turbogerador de 25 MW não só dobra a capacidade instalada, como foi concebido especificamente para a comercialização externa. O projeto inclui ainda a construção de uma nova subestação e 32 quilômetros de linhas de transmissão. A cogeração também tem impulsionado o crescimento industrial da usina, permitindo um aumento sustentável na moagem de cana-de-açúcar, que atualmente processa cerca de 3 milhões de toneladas por safra.
## Diversificação e sinergias impulsionam o grupo
A incursão no setor de energia reflete uma visão de longo prazo do Grupo Maringá, buscando a diversificação de suas fontes de receita em um cenário de commodities volátil. A geração de bioeletricidade a partir do bagaço da cana-de-açúcar se soma à produção de açúcar, etanol e levedura, fortalecendo a sustentabilidade e a resiliência do negócio.
A estratégia energética vai além da biomassa. O grupo adquiriu recentemente duas PCHs no Espírito Santo, com capacidade combinada de cerca de 30 MW a 32 MW. O objetivo principal é fornecer energia para a Maringá Ferro-Ligas, outra empresa do grupo em São Paulo, conhecida por seu alto consumo elétrico. Essa movimentação visa otimizar custos e garantir maior previsibilidade no fornecimento energético para a unidade siderúrgica.
## Biogás e biometano: próximos horizontes com cautela
Olhando para o futuro, o Grupo Maringá mantém um forte interesse na produção de biogás e biometano, embora sem um cronograma definido. A magnitude dos investimentos necessários – orçados entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões para uma usina de porte similar – exige uma abordagem cautelosa.
“É uma outra seara, muito atraente, mas ainda com bastante risco tecnológico e de várias outras ordens. É um passo que vamos dar com muita cautela e prudência”, declarou Nelson Graça, acionista do grupo. A iniciativa se alinha à estratégia do município de Jacarezinho, que também aposta no desenvolvimento da cadeia de coprodutos da cana, com projetos voltados para biometano e geração de créditos de carbono.























