MME avança no planejamento para instalar pequenos reatores nucleares modulares no Brasil

MME avança no planejamento para instalar pequenos reatores nucleares modulares no Brasil
MME avança no planejamento para instalar pequenos reatores nucleares modulares no Brasil - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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O Brasil avança na prospecção de Pequenos Reatores Modulares (SMRs), com o MME iniciando análises territoriais e regulatórias, explorando o expertise da Marinha do Brasil para impulsionar a tecnologia.

A busca por soluções energéticas mais sustentáveis e eficientes ganha um novo capítulo no Brasil. O Ministério de Minas e Energia (MME) está imerso em uma fase crucial de avaliação para a implementação de Pequenos Reatores Modulares (SMRs) em sua matriz elétrica. Esta iniciativa representa um passo significativo na diversificação das fontes de energia do país, com potencial para impactar a segurança energética e a descarbonização.

A Fase 3 dos trabalhos consultivos do Grupo Técnico 19 (GT-19) foi oficialmente iniciada, focando em um diagnóstico técnico e territorial detalhado. O objetivo é identificar os locais mais adequados e as premissas regulatórias necessárias para a instalação dessas usinas nucleares de nova geração. O GT-19, criado no início do ano, é o principal fórum interinstitucional para a formulação de uma política nacional para os SMRs, reunindo ministérios, reguladores, empresas estatais e centros de pesquisa.

Mapeamento e Desafios Logísticos

Liderados pela recém-constituída Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), os debates recentes se concentraram nos critérios de escolha de sítios (siting) e nas premissas de contenção. O planejamento territorial exige uma análise complexa, que envolve a sobreposição de mapas de vulnerabilidade sísmica, a garantia de disponibilidade hídrica para resfriamento e a proximidade com grandes centros de consumo ou complexos industriais intensivos em energia.

Além da localização geográfica, o colegiado técnico identificou barreiras logísticas consideráveis. A natureza modular dos SMRs, que implica fabricação centralizada e montagem no local de destino, demanda o transporte de componentes de grande porte. A movimentação de vasos de pressão e geradores de vapor para áreas remotas, como a Amazônia Legal ou regiões de fronteira agrícola, impõe sérios desafios à infraestrutura rodoviária e hidroviária nacional. A harmonização de licenças ambientais, processos de licenciamento nuclear da ANSN e planos de gestão de resíduos radioativos a longo prazo também será fundamental.

A Herança Tecnológica da Marinha

Um pilar estratégico para a viabilidade do programa de SMRs civis no Brasil reside na expertise desenvolvida pelas bases tecnológicas de defesa. O subsecretário de Governança do MME e coordenador do GT-19, Dênis Soares, ressalta a importância desse alicerce.

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“As características de confiabilidade, modularidade e possibilidade de produção em série tornam os SMRs uma tecnologia promissora para o futuro energético do País. Nesse cenário, as capacidades desenvolvidas pela Marinha do Brasil, especialmente por meio do LABGENE, constituem uma importante base tecnológica nacional para apoiar futuras iniciativas nessa área.”

A referência ao Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), parte integrante do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) em Iperó (SP), ilustra a intenção governamental de aproveitar o conhecimento adquirido na construção do reator de potência naval. O objetivo é transferir essa expertise para o desenvolvimento de protótipos comerciais de SMRs terrestres.

P&D+I e os Desafios Estruturais

Paralelamente às discussões logísticas, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) apresentou o panorama de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D+I) no setor. Destacou-se o potencial de aplicação dos SMRs em processos industriais que demandam alto volume de calor estável, como o refino de petróleo, a produção de hidrogênio verde e a descarbonização de plataformas de águas profundas.

A diretoria técnica da autarquia federal elencou os principais obstáculos estruturais que o Brasil precisa superar para inserir comercialmente essa cadeia tecnológica no Sistema Interligado Nacional (SIN). Entre eles, a formação e retenção de profissionais qualificados, a ampliação de mecanismos de financiamento específicos e o fortalecimento de uma rede nacional de pesquisa são pontos cruciais.

Os relatórios parciais das fases de diagnóstico territorial e regulatório do GT-19 serão consolidados nos próximos meses. Esses documentos servirão como a base para a criação de um novo marco legal que delineará os investimentos públicos e privados nesta fronteira emergente da energia nuclear brasileira, prometendo um futuro energético mais diversificado e resiliente.

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