Minerais críticos: o futuro da energia e o desafio do Brasil na corrida global.
O Brasil detém um potencial gigantesco em minerais críticos, recursos essenciais para a transição energética e a economia do futuro. No entanto, o país corre o risco de perder espaço nesta corrida global, um alerta lançado pelo CEO da Vale, Gustavo Pimenta, durante o Fórum Lide de Mineração, em São Paulo. A fala do executivo ressalta a urgência em destravar o potencial brasileiro antes que seja tarde.
A visão de Pimenta é clara: os minerais críticos, como lítio, cobalto e terras raras, são o “novo petróleo das próximas gerações”. A demanda por esses materiais, impulsionada por tecnologias como Inteligência Artificial, descarbonização e eletrificação, é considerada virtualmente infinita. O verdadeiro obstáculo reside na capacidade de aumentar a oferta para suprir essa demanda crescente, um desafio que o Brasil precisa enfrentar com agilidade.
A urgência em aumentar a oferta de minerais críticos
A análise apresentada por Gustavo Pimenta no Fórum Lide de Mineração aponta para um cenário onde a demanda por minerais críticos é exponencial. Um estudo da AIE (Agência Internacional de Energia) projeta que a oferta desses recursos precisará ser ampliada em até seis vezes nos próximos 20 anos para satisfazer as necessidades globais.
Essa necessidade é um reflexo direto da revolução tecnológica e da busca por fontes de energia mais limpas e eficientes, onde os minerais críticos desempenham um papel fundamental.
“Demanda é infinita. Nosso problema é a oferta, a dificuldade de atender e trazer esses minerais para o mercado”
Essa declaração sublinha a complexidade da cadeia produtiva e a necessidade de investimentos e políticas eficazes para acelerar a exploração e o processamento desses materiais vitais para a economia moderna.
Brasil perde terreno na produção global
A comparação com a Austrália na produção de minério de ferro, apresentada por Gustavo Pimenta, revela um quadro preocupante para o Brasil. Em 2010, ambos os países apresentavam volumes de produção similares, com a Austrália extraindo cerca de 400 milhões de toneladas e o Brasil 380 milhões. Quinze anos depois, a Austrália disparou para quase 1 bilhão de toneladas, enquanto a produção brasileira estagnou em torno de 400 milhões de toneladas.
Esse cenário se repete em outros minerais estratégicos, como níquel e cobre. Além da produção, a participação da mineração no PIB brasileiro também se mostra inferior à de países como Austrália (14%) e Chile (12%), onde o setor representa apenas 4% do PIB nacional. Essa disparidade evidencia o potencial subutilizado do setor mineral brasileiro.
Desafios e oportunidades para o setor mineral brasileiro
Um dos gargalos mais significativos apontados por Gustavo Pimenta é o desconhecimento sobre o real potencial mineral do Brasil. Apenas 28% do território nacional foi explorado sob a perspectiva da mineração, em contraste com mais de 70% em países como Austrália e Chile. Essa falta de mapeamento limita a identificação e o desenvolvimento de novos depósitos de minerais críticos.
“Os minerais críticos vão ter um papel geopolítico, mas econômico muito importante nos próximos 100 anos. É o novo combustível, é o novo petróleo das próximas gerações”
Ele alertou que outras nações sul-americanas, como Argentina, Chile e Peru, já estão ativamente buscando investimentos para capitalizar essa demanda.
Acelerando processos e atraindo investimentos
O tempo de desenvolvimento de projetos de mineração, que pode chegar a 15 anos, foi outro ponto abordado pelo CEO da Vale. Pimenta defendeu a agilização do licenciamento ambiental, sem, contudo, comprometer o rigor necessário. A proposta é tornar o processo “rigoroso, porém mais célere”, por meio de um aumento do corpo técnico nos órgãos ambientais e a adoção de tecnologias avançadas.
A destravar do potencial mineral brasileiro pode gerar um impacto econômico substancial. Estimativas indicam que os royalties e contribuições pagos pela mineração poderiam saltar de R$ 74 bilhões na última década para R$ 130 bilhões nos próximos dez anos. Adicionalmente, projeta-se a criação de 2 milhões de empregos, somando-se aos 3 milhões já existentes na cadeia produtiva expandida do setor.
Um futuro promissor, se o Brasil agir
A declaração de Gustavo Pimenta no Fórum Lide de Mineração serve como um chamado à ação. O Brasil está em uma encruzilhada: ou aproveita sua vasta riqueza em minerais críticos para se posicionar como líder na nova economia global, ou corre o risco de ver outras nações assumirem essa dianteira. A combinação de demanda crescente, potencial geológico e a necessidade de investimentos posiciona o país em um momento crucial para definir seu futuro no cenário energético e tecnológico mundial.
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