O ONS prevê acionar seu plano de contingência por excesso de energia até 12 vezes anuais até 2029, impulsionado pela expansão da geração solar e baixa demanda, focando na segurança da rede e sustentabilidade.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta um aumento significativo na frequência de uso de seu plano emergencial, projetado para gerenciar o excesso de energia no sistema elétrico nacional. A medida é uma resposta direta ao crescente volume de energia limpa, especialmente a proveniente da geração solar de menor porte, que, em determinados períodos, supera a demanda de consumo. Essa antecipação reflete um novo cenário para o planejamento energético brasileiro, onde a abundância de oferta requer estratégias operacionais mais flexíveis.
O ponto mais relevante dessa projeção, segundo Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, é a expectativa de que o mecanismo seja acionado entre seis e doze vezes por ano até 2029. Essa frequência crescente destaca a necessidade de adaptação contínua da infraestrutura e das políticas para garantir a segurança da rede e otimizar o uso dos recursos renováveis.
Desafios da Abundância Energética
O plano de contingência do ONS é crucial em momentos de desequilíbrio entre a alta oferta de energia e a baixa demanda. Situações como feriados prolongados, recesso de fim de ano ou mesmo os domingos, quando o consumo industrial e residencial tende a ser menor, são propícias para esse descompasso. O fenômeno é ainda mais acentuado quando esses dias de baixa demanda coincidem com condições climáticas favoráveis à geração solar, como baixas temperaturas e céu claro, que permitem a produção em plena capacidade.
Historicamente, o operador já enfrentou cenários desafiadores, onde a capacidade de corte de geração diretamente controlada atingiu limites extremos. A necessidade de retirar quase 100% da energia possível de ser modulada demonstra a criticidade dessas situações e a busca constante por soluções inovadoras para manter o equilíbrio e a segurança operacional do sistema.
Inovação com o Erag e Geração Distribuída
Diante da acelerada expansão da geração solar distribuída – aquela conectada diretamente às redes das distribuidoras –, o ONS está implementando medidas proativas. Uma das mais significativas é o desenvolvimento do Erag (Esquema Regional de Alívio de Geração), um sistema automático que entrará em operação até o final deste ano. Este mecanismo visa atuar em cenários mais críticos, quando outras alternativas de gerenciamento de excedentes já foram esgotadas.
O Erag permitirá o corte automático e seletivo da geração solar distribuída, garantindo que a intervenção seja cirúrgica e minimize impactos para o consumidor. O projeto prevê alocar uma capacidade de 3 GW, dividida em três estágios de 1 GW cada, para gerenciamento. Essa iniciativa é fundamental para lidar com a natureza intermitente das energias renováveis e a forma como a geração distribuída pode influenciar a demanda das grandes usinas, aprofundando o desequilíbrio em momentos de baixo consumo.
Perspectivas para a Gestão da Energia no Brasil
A intensificação do uso do plano emergencial e a implementação do Erag sinalizam um amadurecimento na gestão do sistema elétrico brasileiro frente à crescente participação das energias renováveis. A capacidade de lidar com o excesso de energia de forma eficiente e segura é um marco para a sustentabilidade energética do país.
Essas medidas do ONS não apenas garantem a estabilidade da rede elétrica, mas também abrem caminho para um futuro onde a abundância de energia limpa pode ser integrada de maneira mais inteligente e flexível. O foco na automação e na gestão seletiva de geração reflete um compromisso contínuo com a inovação e a adaptação do setor elétrico aos desafios e oportunidades que a transição energética apresenta.
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