Setor elétrico defende janelas mais frequentes na Pnast para atender demanda de data centers

Setor elétrico defende janelas mais frequentes na Pnast para atender demanda de data centers
Setor elétrico defende janelas mais frequentes na Pnast para atender demanda de data centers - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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O setor de energia discute a necessidade de tornar a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast) mais ágil para suportar o crescimento acelerado de data centers no país.

A expansão robusta da infraestrutura digital no Brasil esbarra em um desafio logístico e regulatório: a velocidade de conexão à rede elétrica. Com a implementação da Pnast (Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão), o setor busca transitar de um modelo de “fila de espera” por ordem de chegada para um sistema de janelas periódicas de contratação.

Contudo, vozes influentes do mercado apontam que o cronograma atual pode não ser suficiente para acompanhar o dinamismo exigido por grandes consumidores, como os data centers.

Durante o Lefosse Energy Day 2026, especialistas alertaram que o atual desenho da política, estruturado pelo Decreto 12.772/2025, carece de flexibilidade. A preocupação central é que a rigidez das temporadas de acesso force empresas a adiarem projetos estratégicos devido ao descasamento entre o calendário regulatório e as janelas de decisão de investimento dos empreendedores.

Flexibilidade e novas demandas

Sandro Yamamoto, da Renova Energia, questiona a suficiência das janelas bienais previstas a partir de 2027. O executivo defende uma mudança estrutural, sugerindo que a Pnast funcione de forma contínua, com datas de corte específicas para o enquadramento de projetos.

Para o setor, essa adaptação permitiria que o interessado mantivesse seu pleito ativo no sistema, evoluindo conforme a maturação do seu projeto.

O diretor de Novos Negócios da Renova Energia questionou:

“Será que um Pnast sempre aberto, com três datas limites no ano?”

Ele destaca a dificuldade de acomodar cargas de grande porte, como uma conexão de 60 MW que perde o prazo por questões contratuais. A visão é compartilhada por Marcela Martins, da Ascenty, que vê a antecipação de informações como um caminho possível para melhorar a eficiência da rede.

Segundo ela, o planejador poderia ter visibilidade de demandas em gestação muito antes da etapa final de disputa, permitindo um desenho de rede mais preciso.

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O desafio da infraestrutura de transmissão

Atualmente, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) gerencia a primeira rodada do novo modelo. Com a divulgação da capacidade remanescente do SIN (Sistema Interligado Nacional) prevista para o final de agosto, o mercado aguarda os próximos passos para entender como a concorrência pelo acesso será resolvida.

A precificação da escassez é vista, por um lado, como uma ferramenta positiva para coibir pedidos especulativos que travam a rede. Entretanto, o gap entre a necessidade de carga e a prontidão das linhas é gritante.

Victor Carazzato, da Odata, ressalta que, enquanto um data center de grande porte pode ser erguido em 24 meses, a expansão estrutural da rede de transmissão demanda um tempo muito superior.

O executivo defende uma maior participação privada na execução de reforços da rede, ao que Marcela Martins observa:

“Esse reforço, essa ampliação, eu não posso fazer. Eu fico na dependência do planejador.”

Ela reforça a urgência de mecanismos como os adotados no Chile e México, onde o consumidor pode antecipar obras estruturais com posterior ressarcimento. A expectativa do setor é que, à medida que a Pnast amadureça nas próximas temporadas, o governo considere essas sugestões de maior flexibilidade.

O objetivo final é garantir que o Brasil não perca competitividade na atração de grandes investimentos de tecnologia por gargalos na infraestrutura de conexão à rede básica.

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