Uma turbina eólica flutuante de 3 MW foi instalada a 220 km da costa escocesa para abastecer uma plataforma de gás, mas a alta complexidade levou a construtora a abandonar novos projetos no setor.
A transição energética no setor de óleo e gás acaba de dar um passo ousado, mas repleto de desafios financeiros e operacionais. No Mar do Norte, uma estrutura eólica inovadora foi rebocada até o campo de gás natural de Culzean, localizado a cerca de 220 quilômetros da costa da Escócia.
O objetivo principal da iniciativa é suprir até 20% da demanda elétrica da unidade marítima, diminuindo a queima de gás fóssil para a geração de energia interna.
Apesar do avanço tecnológico representado pela instalação, o projeto escancara os gargalos econômicos da engenharia marítima. Enquanto a desenvolvedora comemora a conclusão da montagem modular, a principal empreiteira envolvida enfrentou fortes impactos financeiros e anunciou a suspensão de novos contratos de construção eólica no mar.
Da Noruega ao Mar do Norte: a jornada da turbina flutuante
O projeto, inicialmente concebido pela TotalEnergies e posteriormente repassado à NEO NEXT+ Energy, utiliza uma turbina Vestas V112 de 3 MW montada sobre uma base semissubermsível desenvolvida pela Ocergy. A estrutura flutua a aproximadamente 88 metros de profundidade, presa por cabos de ancoragem robustos que resistem à força das ondas oceânicas.
A fabricação seguiu um modelo modular para facilitar futuras produções em escala. Componentes de aço pesando até 160 toneladas foram produzidos na Grécia e enviados para o porto de Wergeland Base, na Noruega. Utilizando guindastes gigantescos, as equipes montaram as colunas, a torre e as pás antes de iniciar o reboque rumo ao campo extrativo em agosto.
Desafios financeiros e o recuo da construtora
Conectar a geração eólica intermitente às demandas contínuas de compressores e sistemas de segurança exigiu um complexo processo de comissionamento. No entanto, o sucesso técnico veio acompanhado de turbulências corporativas. A empreiteira Archer revelou disputas de custos decorrentes de alterações contratuais e problemas com subcontratados.
A complexidade da obra pesou severamente nas contas da companhia, cuja dívida líquida alcançou cerca de US$ 525 milhões. Diante desse cenário, a empresa declarou que não buscará novos contratos completos de engenharia e construção para parques eólicos offshore, avaliando inclusive a venda de sua divisão especializada.
A conclusão das entregas em Culzean veio acompanhada de impasses financeiros que redirecionaram nossa estratégia corporativa, encerrando a busca por novas empreitadas na construção eólica offshore.
Perspectivas futuras e o cenário internacional
Com a unidade já posicionada e em fase final de testes práticos, os próximos meses serão decisivos para mensurar a real economia de combustível fóssil na plataforma britânica. O modelo modular testado pela Ocergy pretende viabilizar montagens seriadas caso os resultados econômicos comprovem a eficácia do sistema.
A tecnologia desperta interesse global, inclusive em regiões como o Brasil, que opera grandes complexos de exploração em alto-mar. Contudo, a adoção de turbinas flutuantes em bacias brasileiras dependerá diretamente de análises detalhadas de viabilidade econômica, perfis de vento locais e complexidade logística para manutenção em águas profundas.













