A transição energética global caminha em ritmos variados. Enquanto nações maduras como a Alemanha gerenciam excessos de oferta, mercados latino-americanos lutam para destravar investimentos e infraestrutura essencial.
A expansão da energia solar fotovoltaica reflete um cenário de contrastes globais. Durante o painel “Mercados fotovoltaicos ao redor do mundo”, na Intersolar South America Conference, especialistas discutiram como a disparidade tecnológica e econômica entre países não impede o compartilhamento de dores comuns.
Com uma capacidade global que atingiu a marca de 3 TW em 2026, o setor demonstra fôlego, mas exige ajustes estruturais rigorosos para sustentar esse crescimento.
Para mercados consolidados como o da Alemanha, o desafio atual é a gestão do sucesso. A rápida adoção da tecnologia solar trouxe o fenômeno da “curva do pato”, onde a oferta elevada em horários de pico gera instabilidade na rede e preços negativos.
Por outro lado, na América Latina, nações como Argentina, Colômbia e Uruguai enfrentam gargalos que impedem que o potencial renovável se transforme em projetos operacionais.
Alemanha: O desafio da integração
O modelo alemão de transição energética serve como um laboratório para o mundo. Com metas ambiciosas já superadas, o país agora foca na digitalização e no armazenamento. O representante da BSW Solar, Alexander Rohlf, enfatizou que a infraestrutura precisa acompanhar a velocidade da geração.
A principal lição alemã é clara no sentido de que solar, rede, digitalização e armazenamento precisam evoluir de forma coordenada.
O país tem triplicado a capacidade de baterias de grande porte para evitar o desperdício de energia, provando que a tecnologia de armazenamento é o próximo passo inevitável para qualquer país que busque uma matriz sustentável e estável.
América Latina em busca de escala
O cenário latino-americano é diversificado. A Argentina, representada por Marcelo Luis Alvarez (CADER), ainda trava uma batalha contra o alto custo de capital e a carência de redes de transmissão.
Apesar disso, a necessidade de evitar apagões impulsionou leilões de baterias que superaram as expectativas de adesão, evidenciando que a segurança do sistema é um motor de investimentos.
Na Colômbia, a preocupação de Lina Maria Redondo, da SER Colombia, é com a burocracia. Com projetos levando até mil dias para licenciamento, a celeridade pública não acompanha o apetite privado.
A prioridade é aproximar o ritmo das decisões públicas da velocidade dos investimentos que já estão prontos para avançar.
Já no Uruguai, o foco é a complementaridade. Conforme apontado por Enzo Melani, da AUDER, o país utiliza a solar como peça-chave para uma nova onda de desenvolvimento econômico, visando atrair data centers e indústrias que demandam energia limpa e competitiva.
O futuro do setor
O impacto desta discussão ressalta que, embora os desafios variem entre a consolidação tecnológica e a estruturação de mercado, o futuro da sustentabilidade depende da convergência entre regulação, financiamento e infraestrutura.
A projeção de adicionar mais 4,6 TW de capacidade solar até 2030 indica que o mundo não parará de instalar painéis. A questão, portanto, deixou de ser apenas a instalação, mas a capacidade de integrar essa energia de forma inteligente e eficiente na rede.
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