Raízen anuncia capitalização de R$ 3,5 bilhões para reestruturação; Fitch alerta para default restrito.
A Raízen, gigante do setor de energia, comunicou ao mercado um plano ambicioso para sanear suas finanças, prevendo um aumento de capital de, no mínimo, R$ 3,5 bilhões. A medida é crucial para viabilizar a recuperação extrajudicial da empresa e reestruturar sua dívida.
No entanto, a notícia veio acompanhada de um rebaixamento nas suas notas de crédito pela agência Fitch Ratings, que agora classifica a companhia em “default restrito”.
A nova avaliação da Fitch reflete a suspensão de pagamentos prevista no plano de recuperação extrajudicial, que altera as condições originais de débitos que serão renegociados.
A aprovação do plano pelos credores, que representam a vasta maioria das obrigações financeiras envolvidas, sinaliza uma mudança significativa nas obrigações contratuais originais, levando a agência a adotar a classificação de default restrito.
Detalhes do Plano de Capitalização
A operação de aumento de capital da Raízen envolverá a emissão de pelo menos 14 bilhões de novas ações, com um valor de R$ 0,25 por unidade.
Esta iniciativa visa reorganizar a estrutura de capital da empresa e fortalecer sua capacidade financeira.
O valor máximo a ser captado ainda será definido, com potencial participação da Aguassanta Participações, ligada à família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan.
A conversão de créditos em capital e a emissão de novas ações estão atreladas ao plano de recuperação, com o exercício do direito de preferência pelos acionistas atuais sendo um passo fundamental.
A medida é parte de um esforço mais amplo para simplificar a estrutura do grupo, que também contempla a separação de suas operações em duas frentes:
- Raízen Energia (açúcar, etanol e bioenergia)
- Raízen Combustíveis (distribuição de combustíveis)
Avaliação da Fitch Ratings e Riscos
A decisão da Fitch Ratings de classificar a Raízen em default restrito considera a suspensão de pagamentos e a capitalização de juros das dívidas abarcadas pelo plano de recuperação até a sua conclusão.
Embora credores que representam 82% dos créditos tenham aprovado a proposta, a agência ressalta que os credores dissidentes também serão vinculados aos novos termos.
A Fitch apontou em seu relatório:
Com isso, esses credores não receberão pagamentos conforme as condições contratuais originais.
A agência também alertou que uma falha na implementação do plano pode levar à liquidação da empresa ou a uma recuperação judicial.
Por outro lado, a conclusão bem-sucedida da reestruturação permitirá à Fitch reavaliar as condições financeiras da Raízen, como liquidez e capacidade de pagamento, podendo levar a uma revisão nas suas classificações de crédito.
Próximos Passos e Cronograma
O plano da Raízen oferece aos credores diversas opções para a reorganização de suas obrigações, incluindo conversão de dívida em capital e emissão de novas dívidas.
A conclusão dessas medidas é vista como essencial para a reorganização da estrutura de capital da companhia.
A proposta de aumento de capital, que inclui a emissão de ações ordinárias e preferenciais, será submetida ao conselho de administração em reunião agendada para 5 de novembro.
A operação, parte integrante do plano de recuperação extrajudicial, tem como meta de fechamento o dia 31 de março de 2027.
Acionistas com posições até o final do pregão de 5 de novembro terão direito de preferência na subscrição das novas ações, com o período de exercício previsto para ir de 6 de novembro a 7 de dezembro.
A homologação da capitalização é esperada para 16 de dezembro, com a efetivação das novas ações em 18 de dezembro de 2026.
Caso as mudanças estatutárias sejam aprovadas, as ações preferenciais atuais passarão a ser negociadas como preferenciais classe A (ticker RAIZ5) a partir de 3 de novembro.











