O Brasil passa a contar com uma referência internacional diária de preços para a importação de SAF, facilitando a comparação de custos com a produção nacional.
O mercado energético brasileiro alcançou um patamar inédito nas discussões sobre transição energética ao integrar uma cotação diária dedicada exclusivamente ao querosene verde. A iniciativa introduz parâmetros claros para mensurar a viabilidade financeira de aquisições externas do insumo, criando um contraponto direto para os projetos de fabricação local.
A novidade foi implementada pela Platts, divisão de inteligência de mercados da S&P Global Energy. Desde o início de outubro de 2026, o sistema calcula os chamados preços de paridade de importação, projetando o desembolso necessário para trazer o biocombustível ao território nacional a partir de polos produtivos norte-americanos.
A dinâmica do cálculo logístico no litoral paulista
A metodologia adotada utiliza o Porto de Santos como principal ponto de chegada para estruturar o modelo matemático. O cálculo consolida as cotações praticadas na Costa do Golfo dos Estados Unidos, somando despesas inerentes ao transporte marítimo, taxas de seguro, possíveis estadias prolongadas de embarcações, além de perdas operacionais e custos de estocagem.
Dessa forma, o valor final não reflete apenas a conversão cambial da matéria-prima estrangeira, mas engloba toda a cadeia logística necessária para o desembarque em solo brasileiro. Contudo, os especialistas ressaltam que o indicador tem caráter estritamente analítico, servindo como bússola de mercado e não como uma imposição tarifária oficial ou contrato fechado.
As informações são divulgadas em múltiplos formatos para atender diferentes perfis de agentes econômicos, abrangendo centavos de dólar por galão, dólares por barril e reais por metro cúbico.
Foco tecnológico e competitividade industrial
O escopo da avaliação restringe-se ao insumo desenvolvido pela rota HEFA, sigla em inglês para hidroprocessamento de ésteres e ácidos graxos. O processo converte óleos vegetais residuais, gorduras animais e sebo em querosene sintético, excluindo expressamente o óleo de palma e exigindo rigorosa conformidade com padrões internacionais de qualidade.
A publicação de uma avaliação diária de paridade de importação cria um parâmetro adicional para empresas interessadas em produzir, comprar ou comercializar combustível sustentável de aviação no Brasil.
Com esse panorama, companhias e investidores ganham ferramentas analíticas para confrontar as despesas de importação com os dispêndios exigidos para estruturar plantas industriais domésticas. Se a produção interna demonstrar vantagens financeiras frente ao indicador externo, novos projetos ganham tração comercial.
A consolidação dessa ferramenta ocorre em um momento de expansão das diretrizes de descarbonização na aviação sul-americana. A próxima fase consistirá em observar de que maneira as companhias aéreas, distribuidoras e produtoras absorverão esses dados em suas estratégias comerciais e contratos de longo prazo, moldando o futuro da aviação verde no país.











