A Qair Marine Brasil avança no processo de licenciamento ambiental para a construção de um complexo eólico em alto-mar no Ceará, visando suprir a alta demanda de energia limpa de polos industriais e centros de dados.
A Qair Marine Brasil deu um passo decisivo em seu planejamento estratégico ao solicitar ao Ibama a licença prévia para o Complexo Eólico Marinho Dragão do Mar (CEMDM). Com uma potência instalada projetada de 1.218 MW, o parque será localizado na costa de Acaraú, tornando-se uma peça-chave na infraestrutura energética voltada para fontes renováveis no litoral cearense.
O processo de licenciamento ambiental entra agora em uma fase técnica rigorosa. O órgão ambiental solicitou a apresentação formal do EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e do Rima (Relatório de Impacto Ambiental), documentos essenciais para avaliar a viabilidade e as possíveis interferências do projeto na região costeira. Embora o pedido tenha sido aceito para análise, a empresa ressalta que já forneceu os dados técnicos acumulados durante quatro anos de medições in loco.
Foco estratégico: Hidrogênio Verde e Data Centers
O objetivo central da Qair é integrar este grande ativo ao ecossistema do Complexo do Pecém. O hub cearense de hidrogênio verde, que atrai investimentos globais, exige volumes massivos de energia renovável para operar. Além das plantas de combustível sustentável, a região tornou-se um ímã para data centers de grande porte, como o centro de dados do TikTok, que demandam um suprimento elétrico estável e sustentável.
Sobre a importância da viabilização desses projetos, a companhia destaca:
“Projetos de grande escala como o Dragão do Mar são fundamentais para atender à crescente demanda energética de data centers hyperscale e plantas de hidrogênio verde posicionadas estrategicamente próximas aos principais portos brasileiros.”
Desafios regulatórios no cenário offshore
Apesar do otimismo com a capacidade técnica do empreendimento — que planeja utilizar turbinas da Vestas e fundações de base fixa (monopile) —, a empresa alerta que o setor de eólica offshore no Brasil ainda depende de maior segurança jurídica. Desde 2022, o mercado aguarda a plena implementação do marco regulatório da fonte.
Embora a Lei nº 15.097/2025 já tenha estabelecido diretrizes gerais, o setor espera por definições mais específicas que permitam agilizar o licenciamento e o leilão de áreas em águas da União. Com mais de 59 projetos em análise no Ibama, totalizando cerca de 134 GW em todo o país, a expectativa é que o avanço nas normas destrave o potencial técnico brasileiro, estimado em impressionantes 1.200 GW pelo Banco Mundial.
O Ceará, que já possui 16 projetos em licenciamento somando 36,18 GW, segue como um dos estados mais competitivos para liderar a transição energética nacional. O futuro do Complexo Dragão do Mar dependerá, portanto, da celeridade nas aprovações ambientais e da consolidação de um ambiente de negócios favorável a investimentos dessa magnitude.






















