A Braskem convoca AGE para 8 de junho, redefinindo sua governança corporativa. O encontro selará o controle compartilhado Petrobras/IG4 Capital, elegerá novo conselho com Magda Chambriard e Luciano Coutinho, e marcará a saída da Novonor.
A Braskem, gigante do setor petroquímico, prepara-se para um momento crucial em sua trajetória. No próximo dia 8 de junho, uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) será realizada para redefinir por completo a estrutura societária e a governança corporativa da companhia. O encontro visa formalizar o novo modelo de controle compartilhado entre a Petrobras e o fundo Shine I FIP, gerido pela IG4 Capital, após intensas negociações.
Este movimento representa o encerramento de um longo ciclo sob o comando da Novonor (antiga Odebrecht), abrindo caminho para uma nova era de gestão. A proposta em pauta busca implementar um estatuto mais alinhado às exigências do novo acordo de acionistas, visando ampliar a previsibilidade, a transparência e o equilíbrio nas decisões estratégicas da Braskem.
Novo Estatuto Social Alinha Controle Compartilhado
O texto do novo estatuto social da Braskem integra as diretrizes acordadas entre os futuros controladores, otimizando a distribuição de responsabilidades entre a Assembleia Geral, o Conselho de Administração e a Diretoria Executiva. Uma das modificações mais notáveis, de particular interesse para o mercado de capitais, é a extensão do prazo mínimo para a convocação de assembleias de acionistas, que passará de 15 para 30 dias. Esta medida visa aprimorar a previsibilidade para investidores, além de estabelecer as bases jurídicas para a colaboração entre Petrobras e IG4 Capital, delineando mecanismos para a tomada de decisões conjuntas.
Fortalecimento da Governança com Novos Comitês
Para reforçar a estrutura institucional, seis comitês de assessoramento serão formalmente incorporados ao estatuto da empresa, conferindo-lhes caráter permanente e maior influência nos processos de supervisão. Entre eles estão os comitês de Finanças e Investimentos; Estratégia; Sustentabilidade e Comunicação; Pessoas e Organização; Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS); e Conformidade e Auditoria Estatutária. Essa medida reflete uma tendência global de grandes corporações, especialmente em setores de alto capital e regulamentação, como o petroquímico e o de energia.
Estrutura Executiva com Mandatos Fixos
A reforma estatutária também introduz mudanças significativas na estrutura executiva da Braskem. A diretoria executiva passará a operar com mandatos fixos de dois anos e será composta por oito cargos considerados estratégicos, incluindo o Diretor-Presidente, o Diretor Financeiro e de Relações com Investidores (CFO/RI), o Diretor Jurídico e o Diretor de Operações. Para assegurar um processo decisório equilibrado, o novo regimento estabelecerá que certas deliberações dependerão do apoio simultâneo de executivos de diferentes áreas, impedindo ações unilaterais. A AGE também considerará a antecipação do término do mandato da diretoria atual para sincronizar seus ciclos com o do Conselho de Administração.
Renovação Estratégica do Conselho de Administração
Um dos pontos altos da assembleia será a eleição da nova composição do Conselho de Administração. Serão escolhidos 11 membros titulares e seus respectivos suplentes, indicados em conjunto pela Petrobras e pelo Shine I FIP. A lista de indicados destaca-se pelo perfil altamente técnico e pela experiência consolidada em setores como energia, indústria e finanças. Figuras proeminentes como a ex-presidente da Petrobras e da ANP, Magda Chambriard, e o economista e ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estão entre os nomes propostos, ao lado de executivos como Walter Susini e María Letícia de Freitas Costa.
“A inclusão de nomes com comprovada trajetória em áreas estratégicas reforça o compromisso com uma gestão robusta e alinhada aos desafios do futuro do setor petroquímico.”
Este colegiado terá a missão de guiar a Braskem nesta nova fase de transição de controle. Complementarmente, os acionistas discutirão ajustes no Conselho Fiscal para garantir a continuidade da supervisão durante o período de reestruturação.
A Assembleia Geral Extraordinária da Braskem representa um divisor de águas para a companhia, encerrando um capítulo e inaugurando uma nova fase sob uma gestão compartilhada. A expectativa é que as profundas mudanças na governança corporativa, a entrada de novos controladores e a renovação de seus órgãos diretivos, com a participação de profissionais de alto calibre, fortaleçam a petroquímica. Essas medidas são vistas como essenciais para navegar em um cenário global cada vez mais competitivo e demandante por inovação e sustentabilidade.























