China avança em renováveis, mas carvão ainda domina a matriz energética, apontam novos dados.
O gigante asiático, líder indiscutível em energia eólica e solar, demonstra um impressionante ímpeto na transição energética. Novas projeções indicam que a China poderá antecipar em cinco anos sua própria meta de ter as fontes limpas respondendo por mais da metade da capacidade instalada de geração, um marco previsto originalmente para 2030. Este avanço, impulsionado por investimentos massivos e custos cada vez menores para a energia solar e eólica, consolida a posição da China no cenário global de energia sustentável.
Atingir a meta de 2030 já em 2026 significa um salto significativo, com a construção de vastas usinas renováveis em desertos no norte e noroeste do país. No entanto, a velocidade da expansão renovável contrasta com a persistência do carvão na matriz energética, gerando preocupações entre especialistas e ambientalistas sobre a real ambição climática do país.
Expansão Renovável Acelerada
O Monitor Global de Energia (GEM) mapeou a impressionante cifra de 1.362 GW em projetos de energia renovável em desenvolvimento na China. Essa capacidade, em sua maioria concentrada em grandes complexos no norte e noroeste do país, reflete não apenas a capacidade tecnológica, mas também a vantagem econômica das fontes renováveis. A China se destaca globalmente por oferecer energia eólica e solar a custos consideravelmente inferiores à média internacional.
Essa liderança em custos permite à China economizar bilhões em combustíveis fósseis, um fator crucial em meio a um cenário geopolítico instável que tem afetado o fornecimento e os preços de fontes como o gás natural.
O Dilema do Carvão e a Segurança Energética
Apesar dos avanços notáveis em energia limpa, a China enfrenta um desafio persistente: a forte dependência do carvão. A necessidade de garantir o suprimento energético para uma economia em constante crescimento, somada à busca por segurança energética, tem levado o país a manter e até expandir o uso de usinas termelétricas a carvão.
“A expansão das linhas de transmissão chinesas permanece fortemente associada ao carvão, que ainda responde por uma parcela majoritória da eletricidade transportada”, aponta o relatório do GEM. Essa interligação entre infraestrutura e o carvão representa um gargalo para a plena absorção da energia renovável.
Investimentos e Desafios na Rede Elétrica
A velocidade da instalação de novas usinas renováveis tem superado a capacidade de modernização e expansão da rede de transmissão elétrica. Isso resulta em perdas significativas de energia limpa, fenômeno conhecido como “curtailment” – onde a energia gerada não pode ser transportada devido a limitações da rede.
Para mitigar esses problemas, o governo chinês tem direcionado investimentos para soluções de armazenamento de energia, como baterias, e para a reorganização industrial, visando concentrar o consumo próximo às fontes de geração. A produção de hidrogênio verde também surge como uma alternativa promissora.
Contudo, a dependência contínua do carvão, mesmo com planos de “segurança energética”, levanta questionamentos sobre a urgência e a profundidade da transição para um modelo verdadeiramente sustentável a longo prazo. O futuro energético da China dependerá de como o país equilibrará seu apetite por crescimento com a necessidade inadiável de descarbonização.
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