China acelera expansão de energias limpas, mas dependência do carvão persiste.
A China caminha para superar sua meta de participação de energias renováveis na matriz elétrica com considerável antecedência. Projeções indicam que o país poderá atingir em 2026 o objetivo de ter as fontes eólica e solar representando mais da metade de sua capacidade instalada, originalmente previsto para 2030. Essa antecipação é impulsionada pela liderança global em implantação dessas tecnologias limpas.
Estudos do Monitor Global de Energia (GEM) identificaram um vasto pipeline de 1.362 gigawatts (GW) em projetos de energia eólica e solar, em diversas fases de desenvolvimento. Grande parte desses empreendimentos está concentrada nas vastas regiões desérticas do norte e noroeste chinês, onde o governo tem investido pesadamente em “megabases” de energia renovável.
Críticas à ambição climática e a resistência do carvão
Apesar do avanço notável nas renováveis, análises apontam que o plano energético atual e as metas climáticas estabelecidas para 2035 podem ser consideradas conservadoras. Ambientalistas e especialistas questionam a ambição de Pequim em reduzir sua forte dependência do carvão, o combustível fóssil mais poluente, do qual a China é a maior consumidora mundial.
A instabilidade geopolítica recente, com conflitos no Oriente Médio, impactou o fornecimento global de energia, levando a China a aumentar o uso do carvão em detrimento do gás natural importado. Esse cenário reforça a preocupação de que o país possa priorizar a estabilidade do fornecimento energético para sua crescente economia industrial em detrimento de uma redução mais drástica do carvão.
Oportunidades econômicas e gargalos de infraestrutura
A expansão das energias renováveis na China também é um movimento economicamente estratégico. Em 2025, o país liderou globalmente a economia em custos evitados com combustíveis fósseis, economizando cerca de 177 bilhões de dólares. Essa economia é resultado direto dos custos cada vez mais competitivos da energia eólica e solar no mercado chinês, que já se posicionam abaixo da média global.
No entanto, o relatório do GEM alerta para um sério gargalo: a infraestrutura de transmissão de energia não está acompanhando o ritmo de expansão da capacidade instalada. Essa defasagem resulta em desperdício de energia gerada (conhecido como *curtailment*), forçando a continuidade do uso do carvão para garantir o suprimento energético.
Desafios e caminhos futuros
Para viabilizar a integração das “megabases” de energia renovável, são necessárias novas linhas de transmissão de ultra-alta tensão. O próximo Plano Quinquenal chinês prevê a construção de apenas dez dessas linhas. Atualmente, a eletricidade que circula por essas linhas de alta capacidade é majoritariamente proveniente do carvão (42%), com apenas 20% vindo de fontes limpas.
Em resposta, a China tem direcionado investimentos para sistemas de armazenamento de energia com baterias, produção de hidrogênio verde e reorganização de seu parque industrial. Contudo, ambientalistas temem que a segurança energética, justificada pela dependência do carvão, possa comprometer as metas climáticas se os investimentos em infraestrutura de transmissão não forem significativamente ampliados.
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