O armazenamento de energia via sistemas BESS ganha destaque no Brasil como solução estratégica contra o curtailment, impulsionado por novas regulamentações da Aneel que visam maior flexibilidade e eficiência à matriz renovável do país.
O crescimento expressivo das fontes renováveis no Brasil, especialmente a energia solar e eólica, trouxe um desafio técnico significativo para o setor elétrico: o curtailment. Este fenômeno, que força a interrupção ou redução da geração para manter a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), desperdiça um potencial energético valioso. Para mitigar esse problema, o armazenamento de energia surge como uma peça fundamental na transição para um sistema mais inteligente e resiliente.
Recentemente, a Aneel deu passos decisivos ao encerrar a Consulta Pública nº 39/2023, estabelecendo diretrizes para a cobrança pelo uso da rede por sistemas de armazenamento. Essa movimentação institucional sinaliza que o uso de baterias deixou de ser uma promessa teórica e tornou-se uma prioridade na agenda de modernização do mercado elétrico brasileiro, inclusive com a autorização inédita de unidades armazenadoras integradas a usinas fotovoltaicas.
O papel dos sistemas BESS na flexibilidade operacional
A tecnologia de BESS (Battery Energy Storage Systems) é considerada a grande aliada para a otimização da rede. Ao permitir que excedentes gerados em horários de pico sejam reservados para momentos de maior demanda, esses sistemas reduzem drasticamente a necessidade de cortes operacionais.
“Cada vez mais empresas desse segmento entendem que, para além da geração, é necessário administrar essa energia de forma inteligente, de modo a equilibrar oferta, demanda e estabilidade operacional. Acompanhamos de perto as discussões conduzidas pelos órgãos regulatórios, e acreditamos que o amadurecimento das regras para armazenamento será fundamental para dar previsibilidade ao mercado e acelerar investimentos nesse segmento”, afirma Pedro Nunes, Head e Diretor de Utilities da NTT DATA Business Solutions.
Tecnologia e digitalização como pilares do novo setor
Mais do que infraestrutura física, o armazenamento exige uma camada robusta de inteligência digital. Para Pedro Nunes, a modernização das utilities passa pela integração de soluções como Inteligência Artificial, analytics e monitoramento em tempo real. A digitalização é o que permite que a energia armazenada seja injetada no sistema com precisão, garantindo eficiência e evitando desperdícios.
“O armazenamento não é apenas uma discussão sobre infraestrutura física. Existe uma camada tecnológica extremamente importante para que o sistema consiga operar com mais flexibilidade, previsibilidade e eficiência”, explica o especialista.
Um novo patamar para a matriz energética brasileira
Com a energia solar já superando a marca de 52 GW de capacidade instalada, o Brasil reafirma seu compromisso com fontes limpas. No entanto, o sucesso dessa expansão depende agora da capacidade de integração dessas fontes ao sistema. A expectativa é que o mercado de armazenamento de energia se consolide como um “quinto pilar” do setor elétrico, ao lado de geração, transmissão, distribuição e comercialização.
A evolução regulatória em curso, alinhada a referências internacionais de sucesso, deve atrair novos investimentos e fomentar modelos de negócio mais sustentáveis. O futuro do setor elétrico brasileiro não será definido apenas pelo volume de energia produzida, mas pela inteligência aplicada à sua gestão, garantindo um sistema cada vez mais autossustentável e capaz de enfrentar os desafios climáticos e operacionais das próximas décadas.




















