A Neoenergia reportou um lucro líquido de R$ 900 milhões no segundo trimestre de 2026, um recuo de 45% na comparação anual, impacto causado pela ausência de ganhos tributários pontuais observados no mesmo período do ano anterior.
A Neoenergia encerrou o segundo trimestre de 2026 com um resultado impactado por fatores não recorrentes. A retração de 45% no lucro líquido, que totalizou R$ 900 milhões, não reflete uma descontinuidade operacional, mas sim a base de comparação elevada do ano passado. Em 2025, a companhia foi favorecida pelo reconhecimento de um crédito tributário de R$ 770 milhões, ligado à tese de exclusão do ICMS do PIS/Cofins, um evento extraordinário que não se repetiu no balanço atual.
Apesar da queda no lucro final, os indicadores operacionais da elétrica apresentaram trajetória de crescimento. O Ebitda consolidado avançou 11%, atingindo R$ 3,55 bilhões, sustentado pela disciplina na gestão de despesas — que subiram apenas 1% — e por uma expansão de 5% na margem bruta, que chegou a R$ 4,64 bilhões. A receita líquida da companhia no período foi de R$ 12,56 bilhões.
Desafios financeiros e resiliência na distribuição
O desempenho operacional positivo foi, em parte, mitigado por um resultado financeiro mais pressionado. A despesa financeira líquida da Neoenergia subiu 32%, saltando para R$ 1,82 bilhão. De acordo com a empresa, o cenário de juros mais elevados (CDI), somado ao saldo médio da dívida líquida e menores receitas de atualização monetária em ativos regulatórios, contribuiu para o aumento do custo do capital no trimestre.
O braço de distribuição segue como o pilar mais forte da operação. Com uma base de 17,2 milhões de clientes, o grupo registrou um crescimento de 2,1% em sua rede. Mesmo com um clima menos rigoroso reduzindo o consumo no mercado cativo, o volume total de energia distribuída cresceu 1%, impulsionado pelo dinamismo do mercado livre e pelo fortalecimento da geração distribuída solar.
Impactos do curtailment e investimentos futuros
O segmento de geração renovável enfrentou desafios operacionais, notadamente as restrições impostas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o chamado curtailment. A limitação afetou cerca de 8% da geração eólica e solar no período. Para mitigar perdas, a companhia contabilizou R$ 47 milhões em ressarcimentos previstos pela Lei 15.269/2025, referente a cortes ocorridos em janelas anteriores.
Olhando para o futuro, a Neoenergia mantém um ritmo robusto de aportes, com R$ 4 bilhões investidos no primeiro semestre, sendo a maior parte direcionada à infraestrutura de distribuição. A renovação das concessões de importantes subsidiárias, como Coelba, Cosern e Elektro, por mais 30 anos, sinaliza confiança e continuidade estratégica para o grupo, consolidando sua base de ativos regulatórios em R$ 47,3 bilhões.






















