A transição para o mercado livre de energia em baixa tensão acende o debate regulatório sobre o uso compartilhado de marcas e exige modernização das redes elétricas brasileiras.
A iminente chegada do mercado livre de energia para os consumidores de menor consumo promete redefinir a dinâmica do setor elétrico nacional. Especialistas e executivos apontam que a nova realidade exigirá das empresas melhorias expressivas no atendimento e investimentos robustos em inovação e digitalização.
Contudo, o tema gerou divergências acentuadas entre os principais players do segmento. Durante o evento CNN Talks Energia, realizado em 24 de setembro, a discussão sobre a utilização de uma mesma marca por grupos econômicos que atuam tanto na distribuição quanto na comercialização dividiu opiniões fundamentais para o futuro da energia limpa e competitiva.
O debate sobre o uso de marcas compartilhadas
De um lado, o CEO da Light, Alexandre Nogueira, defendeu que a reputação corporativa é um facilitador legítimo na escolha do cliente.
Se você tem uma marca boa e que gera confiança, obviamente o cliente fica mais confortável também de fazer essa migração. O que vai ter competição é você entregar um produto melhor e você, o consumidor, querer ficar com você de alguma forma.
Por outro lado, o diretor-executivo da Ultragaz Energia Elétrica, Lucas Witzler, sustentou a necessidade de uma separação estrutural e visual evidente entre os serviços prestados. Para ele, a transparência assegura condições equitativas de concorrência e evita qualquer confusão por parte dos usuários na hora de selecionar seus fornecedores.
Infraestrutura e novos horizontes tecnológicos
Além da disputa comercial, a modernização das redes surge como um pilar incontornável. A expansão da medição inteligente é tratada como prioridade para viabilizar novas alternativas de consumo, a exemplo das tarifas horárias, que estimulam o uso eficiente nos períodos de maior oferta e menor custo.
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, classificou a transformação como a mais profunda no setor nas últimas décadas, traçando paralelos com a evolução histórica das telecomunicações. Paralelamente, especialistas como Márcia Cavallari, da Ipsos, reforçam que o sucesso da transição dependerá de campanhas eficazes de esclarecimento público.
À medida que a Aneel e a CCEE trabalham contra o relógio para consolidar o arcabouço normativo, o setor avança rumo a um ecossistema mais dinâmico. O desafio central será garantir que a liberdade de escolha venha acompanhada de segurança regulatória, estabilidade sistêmica e real valor agregado para o consumidor final.














