O Governo Federal oficializou a criação de um grupo de trabalho focado em expandir a produção de urânio e estruturar o setor nuclear como pilar da transição energética brasileira.
Em um movimento estratégico para fortalecer a soberania energética e a defesa nacional, o Ministério de Minas e Energia (MME) estabeleceu um grupo de trabalho dedicado a mapear e impulsionar a exploração de minerais nucleares. A medida, publicada nesta quinta-feira (24/9), visa integrar a produção de urânio aos objetivos do Programa Nuclear Brasileiro e às metas de descarbonização do país.
O país enxerga na tecnologia nuclear uma alternativa robusta para garantir a estabilidade da matriz elétrica. Prova disso é a recente revisão do Plano Energético Nacional 2055 (PNE 2055), que elevou a projeção de expansão da fonte para 14 GW, um aumento significativo frente à estimativa anterior, que variava entre 8 e 10 GW.
Estratégias para o setor nuclear
O colegiado recém-formado terá a missão de diagnosticar as reservas atuais de urânio no território nacional e definir rotas para ampliar o conhecimento geológico dessas áreas. Além disso, a equipe técnica deverá calcular o potencial produtivo e avaliar como os ganhos financeiros dessa atividade podem viabilizar projetos essenciais para a defesa e a infraestrutura nuclear do Brasil.
A iniciativa é composta por dez membros, reunindo especialistas de diversos órgãos, como a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional, o Ministério da Defesa e a Marinha do Brasil. A coordenação ficará a cargo do MME, garantindo que o planejamento esteja alinhado com as políticas públicas de energia e o desenvolvimento tecnológico do setor.
“O grupo de trabalho atua como um hub estratégico, unindo as necessidades da transição energética com a segurança dos programas de Estado, fundamentais para a soberania do país.”
Reaproveitamento e sustentabilidade na mineração
Simultaneamente, o governo deu início ao Programa Nacional de Redução e Reaproveitamento de Rejeitos da Mineração (PNRRM). Este segundo grupo, liderado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), foca no passivo ambiental do setor mineral. O objetivo é estabelecer diretrizes para a recuperação de áreas degradadas e incentivar o reaproveitamento econômico de estéreis.
Com a participação de órgãos como a ANM e o Ibama, o PNRRM busca aprimorar o marco regulatório para que o setor mineral brasileiro adote práticas mais circulares e sustentáveis. Ambos os grupos possuem um prazo de vigência inicial de 150 dias, podendo ter seus mandatos prorrogados caso necessário.
O sucesso dessas frentes de trabalho será determinante para o Brasil nos próximos anos, servindo como termômetro para a viabilização de novas plantas nucleares e para a mitigação dos impactos ambientais causados pela atividade extrativa. O setor aguarda que as propostas sirvam de base para incentivos que atraiam novos investimentos em escala e consolidem a segurança energética nacional.















