O leilão de transmissão da Aneel arrematou oito lotes na B3, garantindo R$ 8,9 bilhões em investimentos e deságio médio de 50,1% na disputa do setor elétrico.
O setor de energia do país registrou um avanço expressivo com a disputa promovida na sede da B3, em São Paulo. O certame licitou oito lotes de infraestrutura elétrica, resultando na contratação de mais de 1,8 mil quilômetros de novas linhas.
Com investimento total estimado em R$ 8,9 bilhões, a concorrência se destacou pelo deságio médio de 50,1% sobre a Receita Anual Permitida (RAP). Os empreendimentos abrangem sete estados brasileiros e visam reforçar a malha de transmissão nacional.
Destaques e grandes vencedores da disputa
A Celeo Redes Brasil garantiu o maior volume de aportes ao arrematar os lotes 4 e 8. O lote 4 exige o montante de R$ 4,11 bilhões para erguer 1.167 quilômetros de linhas no Mato Grosso do Sul, ampliando o escoamento de energia renovável.
Outras participantes também garantiram múltiplos ativos no evento. A CIMI Construções e Participações venceu os lotes 3 e 5, enquanto a Neoenergia levou os lotes 1 e 7.
O lote 3 abrange a construção da Subestação Santana em Mogi das Cruzes (SP), direcionada a suprir a Grande São Paulo e a crescente demanda de data centers. Já a EDP garantiu o lote 2 em Goiás, e a Cox Brasil arrematou o lote 6.
Modernização e impacto no consumidor
Conforme avaliação do Ministério de Minas e Energia (MME), liderado por Alexandre Silveira, as novas estruturas trazem segurança operacional ao sistema. Além de liberar o escoamento limpo, preparam a rede para o avanço da inteligência artificial.
A alta competitividade demonstrada na bolsa paulista tende a se converter em tarifas mais equilibradas para o consumidor final, conforme reforça a liderança do setor de infraestrutura.
“A transmissão é a infraestrutura que traz o crescimento da economia, a transição energética e a confiabilidade que o sistema interligado precisa. Investir em transmissão vai muito além de expandir a malha. Trata-se de modernizar continuamente o sistema”
A declaração de Talita Porto, presidente executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia (Abrate), sintetiza a relevância estratégica dos projetos para o futuro energético nacional.
Próximos passos e homologação
A coordenação do processo esteve a cargo do MME, com operacionalização técnica conduzida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Antes da assinatura formal dos contratos de concessão, os consórcios e companhias vitoriosas deverão cumprir as etapas de habilitação técnica e financeira, seguidas da homologação oficial do certame pela agência reguladora.











