Investidores espanhóis dominaram o último certame de transmissão elétrica de 2026, garantindo contratos que somam R$ 8,9 bilhões em investimentos para expandir a rede nacional em sete Estados brasileiros.
O setor elétrico brasileiro encerrou o calendário de 2026 com um leilão de transmissão marcado pela predominância do capital europeu. Promovido pela Aneel na sede da B3, em São Paulo, o evento assegurou a viabilização de 1.866 km de novas linhas de transmissão e reforços significativos na capacidade de transformação do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Ao todo, oito lotes foram arrematados com um deságio médio robusto de 50,1%, demonstrando o apetite das companhias pelos ativos de longo prazo. A competição foi intensa, destacando o protagonismo de grupos espanhóis, que asseguraram sete das oito concessões disponíveis. Apenas um ativo escapou do domínio ibérico da Espanha, ficando com a portuguesa EDP.
Domínio europeu e o impacto na infraestrutura
A Celeo Redes, a Cymi e a Neoenergia Transmissão SPE destacaram-se como as principais vencedoras, conquistando dois lotes cada. A Cox Brasil, braço do Grupo Cox, também assegurou um projeto. A vitória da EDP Transmissão Goiás no ativo mais cobiçado da rodada, que atraiu oito propostas, encerrou o quadro de vencedores.
Um ponto de atenção para o mercado foi o desempenho da Axia Energia (antiga Eletrobras). Apesar de sua envergadura e histórico no setor, a companhia participou ativamente da disputa pelos lotes, mas não conseguiu vencer nenhuma das concorrências, refletindo a agressividade das propostas de deságio apresentadas pelas concorrentes estrangeiras.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou:
Continuamos construindo, com planejamento, o sistema elétrico de que o Brasil vai precisar nas próximas décadas.
Projeções e desenvolvimento regional
O cronograma estabelecido pelo governo federal prevê a assinatura dos contratos em 26 de fevereiro de 2027. Os prazos para a entrada em operação dos ativos variam entre 42 e 60 meses, com a expectativa de que o ciclo de obras gere aproximadamente 20.300 empregos diretos e indiretos pelo país.
O impacto desses investimentos vai além da construção civil. Com obras distribuídas por regiões estratégicas como a capital paulista, o Sertão paraibano e áreas críticas de Rondônia e do Centro-Sul baiano, o governo busca fortalecer a resiliência do sistema frente às mudanças climáticas e preparar a rede para demandas futuras, como a expansão de infraestrutura para Inteligência Artificial e Data Centers.
Este último leilão do ano consolidou a estratégia do governo em priorizar a menor Receita Anual Permitida (RAP) como critério de escolha, garantindo eficiência na gestão dos recursos. Para os próximos anos, o foco permanece na integração de fontes renováveis e na modernização tecnológica das subestações, assegurando que o escoamento de energia acompanhe o crescimento da demanda nacional.












