IUCN alerta: Mineração profunda ameaça extinção de moluscos marinhos

IUCN alerta: Mineração profunda ameaça extinção de moluscos marinhos
IUCN alerta: Mineração profunda ameaça extinção de moluscos marinhos - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A mineração em águas profundas pode levar à extinção de moluscos únicos, enquanto negociações cruciais acontecem.

Um alerta vermelho soou nas profundezas do oceano com a atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A atividade de mineração em águas profundas ameaça mais da metade das espécies de moluscos que habitam fontes hidrotermais, ecossistemas singulares com potencial ainda inexplorado pela ciência e pela medicina.

Esses organismos marinhos, muitos descobertos recentemente, são adaptados a ambientes extremos, com temperaturas que ultrapassam 450 graus Celsius e profundidades de até 5.000 metros. A pesquisa revela que a exploração mineral intensiva, focada na extração de cobre, cobalto e zinco, coloca em risco iminente de extinção 62% das espécies endêmicas dessas fontes, totalizando 125 de 201 espécies catalogadas.

A corrida pelos minerais críticos e a preocupação ambiental

A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), está em meio a negociações intensas para definir um código de mineração para o fundo do mar. O cenário é de crescente tensão entre o interesse de grandes potências, como EUA, China, Rússia, Índia e Noruega, na exploração de minerais essenciais para tecnologias modernas, e o apelo de dezenas de nações e organizações pela moratória da atividade.

A recente atualização da Lista Vermelha da IUCN reforça o argumento dos defensores de uma pausa. O levantamento destaca que a perturbação humana desses habitats, que inclui a formação de plumas de sedimentos que sufocam a vida marinha, já está impactando espécies como o caracol _Lirapex felix_. Este molusco, encontrado apenas no Oceano Índico, acaba de ser classificado como Criticamente Ameaçado.

“Encontrados apenas em profundidades de até 5.000 metros abaixo do nível do mar, ao redor de fontes que expelem água a mais de 450 graus Celsius, muitos desses moluscos – incluindo caracóis, lapas, mexilhões, amêijoas e quítons – foram descobertos nos últimos 10 anos e já enfrentam a extinção devido à perturbação humana de seu habitat”, declara a IUCN.

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Disputas legais e a urgência de um consenso

Enquanto as discussões sobre o código de mineração na ISA se arrastam sem previsão de conclusão, a pressão para avançar com a exploração de minerais no fundo do oceano aumenta. Um ponto central nas agendas da ISA é a análise de um pedido de parecer consultivo sobre as implicações legais de iniciativas unilaterais de mineração por países não signatários da organização.

Isso surge em resposta a uma autorização emitida pelos Estados Unidos, que não integram a ISA, para a exploração em larga escala, inclusive em águas internacionais. Tal movimento gerou forte repúdio global, sendo considerado uma violação do direito internacional e um rompimento com a tradição de cooperação do país sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito dos Mares (UNCLOS).

Paralelamente, a ISA tem sido palco de embates legais. Duas subsidiárias da The Metals Company (TMC) iniciaram processos contra uma investigação da ISA sobre potenciais violações contratuais. A urgência é palpável, pois o contrato da subsidiária NORI expira em julho de 2026, e a empresa alega que a ISA estaria retendo intencionalmente uma prorrogação devido à investigação.

Ambientalistas veem essas ações judiciais como uma tentativa de pressionar as negociações multilaterais. Eles exigem que os mais de 170 governos signatários da UNCLOS tomem posições firmes.

“Os governos têm o claro dever de intervir e proteger o patrimônio comum da humanidade da apropriação corporativa. Os mais de 170 governos signatários da UNCLOS possuem as ferramentas para impedir isso; eles podem interromper a mineração unilateral agora mesmo, cortando o acesso de pessoal, engenharia offshore, portos, financiamento e refino em suas jurisdições”, comenta Sebastián Losada, conselheiro sênior de Políticas do Greenpeace Internacional. A comunidade global observa atentamente os desdobramentos, ciente do impacto profundo que as decisões tomadas agora terão sobre a biodiversidade marinha e o futuro da exploração de recursos em um dos últimos grandes ambientes inexplorados do planeta.

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