Energia confiável é a chave para o futuro da mineração na América Latina, aponta estudo.
A competitividade da mineração na América Latina está cada vez mais atrelada à infraestrutura energética. Um estudo recente da Aggreko revela que a garantia de um fornecimento de eletricidade estável e eficiente é fundamental para o sucesso de novos projetos e a manutenção das operações existentes, em um momento de alta demanda por minerais essenciais para a transição energética. Países com vastas reservas, como Brasil, Chile, Peru, México e Argentina, enfrentam o desafio de converter seu potencial geológico em operações resilientes e alinhadas às metas de sustentabilidade.
A pesquisa, que ouviu executivos do setor, aponta que a transição para fontes de energia mais limpas ainda encontra barreiras. Cerca de 40% dos entrevistados citam o custo e a disponibilidade de energias renováveis como obstáculos significativos. Atualmente, grandes mineradoras e siderúrgicas brasileiras recorrem à autoprodução para assegurar a continuidade de suas atividades, enquanto operações menores, especialmente em locais remotos, dependem da confiabilidade de fontes como o diesel para garantir a segurança energética nos próximos cinco a dez anos.
Soluções inovadoras para o setor
O relatório da Aggreko também sinaliza uma forte tendência na adoção de soluções energéticas inovadoras. Sistemas híbridos, unidades de geração modulares, a integração de tecnologias digitais nas operações e modelos de fornecimento de energia flexíveis são vistos como estratégicos para o futuro do setor. “O foco principal não deve ser apenas a fonte de energia, mas sim a confiabilidade e a previsibilidade do seu fornecimento”, destaca José Albornoz, gerente regional de Mineração da Aggreko. Ele ressalta que a verdadeira transição energética na mineração se concretizará com maior eficiência, menor impacto ambiental e previsibilidade, mesmo em locais de difícil acesso.
Matriz energética e viabilidade econômica
Cerca de 66% dos líderes da indústria mineral já reconhecem a importância de uma matriz energética mais sustentável, com maior participação de fontes renováveis e aprimoramento da eficiência energética, para o futuro do setor. No entanto, essa transformação impõe desafios operacionais complexos. Projetos de sucesso dependerão da superação de gargalos estruturais e da integração eficaz entre infraestrutura, energia e estratégia industrial. Empresas do setor mineral precisam ampliar seu escopo de planejamento, considerando não apenas a extração, mas também a infraestrutura, o fornecimento de energia e a logística como pilares centrais. A falta de preparo pode gerar aumentos significativos nos custos operacionais e atrasos em cronogramas. A pesquisa alerta que a incerteza no fornecimento de energia pode levar à necessidade de sistemas redundantes e insegurança em decisões de investimento. Além disso, a sustentabilidade e a eficiência energética estão intrinsecamente ligadas à geração de valor. A origem da energia utilizada na produção impacta diretamente a pegada de carbono dos produtos finais, um fator cada vez mais valorizado no mercado internacional. A transição para fontes renováveis ganha força à medida que se torna economicamente viável.























