Pela primeira vez em quase quatro décadas de história, o CEPETRO passa a ser liderado por mulheres, mirando a aceleração da transição energética e a modernização administrativa.
O Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO), vinculado à Unicamp, iniciou uma nova fase em sua trajetória de quase 40 anos. A pesquisadora Alessandra Davolio Gomes tomou posse como diretora da instituição para o quadriênio 2026-2030, marcando um feito inédito: é a primeira vez que uma mulher assume o comando do centro desde a sua fundação, em 1987.
A chegada de Alessandra Davolio ocorre em um momento de expansão expressiva para o órgão, que atua como um pilar fundamental no desenvolvimento tecnológico voltado aos setores de óleo, gás e novas fontes de energia. O desafio da nova gestão é equilibrar a tradição em pesquisa aplicada com as demandas globais urgentes por sustentabilidade e descarbonização.
Um portfólio em transformação
O CEPETRO vive hoje um ciclo de crescimento robusto, impulsionado por investimentos vinculados às cláusulas de P&D da ANP. Somente em 2025, o centro deu início a 36 novos projetos, captando cerca de R$ 189 milhões em aportes privados. Atualmente, a unidade gerencia 91 projetos de cooperação, mobilizando mais de 700 profissionais e especialistas.
Embora o foco histórico do centro esteja na exploração e produção em águas profundas, a nova diretoria planeja intensificar o investimento em vetores energéticos limpos. Áreas como captura de carbono (CCUS), hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e inteligência artificial para redes elétricas ganham protagonismo.
“Hoje, cerca de 20% dos novos projetos do Centro já estão relacionados a esses temas. Nosso objetivo é fortalecer essas frentes de pesquisa, ampliar parcerias e posicionar o CEPETRO cada vez mais como uma referência em soluções para os desafios energéticos do futuro.”
Gestão eficiente e representatividade
Para sustentar esse volume de projetos, a nova administração coloca a modernização da gestão como prioridade. O plano estratégico inclui o aprimoramento dos processos de compliance e a estruturação de equipes de apoio, visando aumentar a agilidade operacional frente aos convênios com grandes players do setor energético internacional.
“O crescimento do CEPETRO exige que avancemos também na modernização da gestão e na organização interna. Precisamos garantir que nossa estrutura acompanhe a expansão das atividades de pesquisa, criando condições para que pesquisadores, estudantes e equipes técnicas possam atuar com ainda mais eficiência.”
A vice-direção também será ocupada por uma mulher, a pesquisadora Vanessa Cristina Bizotto Guersoni. A composição feminina na alta cúpula da instituição é um marco simbólico significativo para as áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), um setor historicamente marcado pela baixa representatividade feminina em cargos de liderança.
Ao refletir sobre sua nomeação, Alessandra Davolio reforça a importância de um ambiente plural para o progresso científico. Para ela, a ocupação desses espaços é um passo essencial para promover um modelo de ciência que reconheça a competência técnica em contextos cada vez mais inclusivos. O CEPETRO, sob nova direção, reafirma assim seu papel estratégico não apenas no fomento tecnológico, mas também na construção de políticas de energia que moldarão o futuro do país.





















