O IEMA apresenta estratégias focadas em microrredes solares para levar energia sustentável a 5 milhões de pessoas que ainda vivem isoladas na região da Pan-Amazônia.
Um novo estudo conduzido pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) traz um roteiro estratégico para superar a exclusão energética na Pan-Amazônia. A pesquisa destaca que a universalização do acesso à eletricidade deve ser encarada como uma prioridade de Estado, exigindo previsibilidade nas normas regulatórias e um financiamento contínuo, capaz de adaptar tecnologias modernas às realidades de áreas remotas espalhadas por seis países: Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Suriname e Equador.
O diagnóstico é alarmante: cerca de 5 milhões de habitantes da região ainda não possuem acesso a serviços de energia limpa e confiável. O desafio é agravado pela geografia complexa, pela escassa densidade populacional e pela dependência histórica de combustíveis fósseis, como o diesel, que encarecem e dificultam a expansão das redes de transmissão tradicionais.
Resultados práticos da energia descentralizada
Para fundamentar suas recomendações, o IEMA realizou uma análise detalhada de iniciativas já implementadas em 223 comunidades amazônicas. O impacto positivo dessas ações foi significativo para mais de 70 mil pessoas. Em territórios indígenas, por exemplo, a disponibilidade de energia permitiu uma economia impressionante de 50 horas semanais em tarefas manuais, além de impulsionar a economia local, com um aumento médio de US$ 361 na renda familiar mensal.
“A combinação entre soluções descentralizadas, financiamento contínuo e gestão comunitária pode ampliar o acesso à eletricidade de forma mais adequada às características da Pan-Amazônia, reduzindo a exclusão energética ainda existente na maior floresta tropical do planeta”, aponta o relatório. Além disso, o caráter sustentável das microrredes fotovoltaicas se provou eficiente, reduzindo o uso de diesel em quase 100% das localidades estudadas.
O cenário brasileiro e perspectivas futuras
Mesmo com o Brasil atingindo a marca de 99,8% de eletrificação domiciliar, o estudo alerta que a exclusão persiste em nichos invisíveis, especialmente entre populações tradicionais e povos indígenas. O entrave para o avanço definitivo no território nacional passa pela falta de dados precisos sobre essas comunidades isoladas e pela necessidade de políticas públicas mais assertivas para regiões de difícil acesso.
O futuro da eletrificação regional, segundo o IEMA, não reside apenas na tecnologia das placas solares. A solução proposta integra o fornecimento de energia a pilares fundamentais como educação, saneamento e saúde. Ao colocar as comunidades no centro da operação e gestão dos sistemas, garante-se não apenas a viabilidade técnica, mas a sustentabilidade social desses projetos a longo prazo.




















