Expansão do hidrogênio verde no Nordeste exige mais geração de energia, alerta EPE.
O avanço dos projetos de hidrogênio verde no Nordeste brasileiro, especialmente no Ceará e Piauí, aponta para a necessidade de investimentos significativos em geração de energia. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sinaliza que a capacidade instalada atual pode ser suficiente para atender até cerca de 4 gigawatts (GW) de nova demanda. Ultrapassar esse patamar, contudo, demandará a construção de novas usinas para suprir o consumo energético crescente, conforme análise da instituição.
O planejamento energético da EPE prevê a ampliação da infraestrutura de transmissão para conectar grandes centros consumidores de energia, como os polos de Pecém (CE) e Parnaíba (PI). Estes locais são estratégicos para a produção de hidrogênio verde e seus derivados, além de atraírem investimentos em data centers. A expectativa é que a energia renovável gerada, em grande parte, no Rio Grande do Norte, seja direcionada para suprir essas novas demandas através de corredores de transmissão que estão sendo planejados.
O plano abrange a construção de aproximadamente 1.900 quilômetros de novas linhas de transmissão, com um investimento estimado em R$ 5,7 bilhões. A entrada em operação dessas novas infraestruturas está prevista para 2032. Uma das estratégias adotadas pela EPE para mitigar riscos é a combinação de soluções de transmissão consideradas “sem arrependimento”, que seriam benéficas ao sistema elétrico mesmo que nem todos os projetos de hidrogênio se concretizem, com corredores adicionais cuja construção dependerá da confirmação da demanda.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) terá um papel crucial na validação da necessidade de expansão da rede. Através de janelas de conexão, como a primeira agendada para outubro de 2026, o ONS avaliará se a infraestrutura existente e os novos corredores planejados são suficientes para atender aos projetos. Caso contrário, a autorização para conexão de novos empreendimentos poderá ser vinculada à entrada em operação de obras adicionais, garantindo que os investimentos em transmissão acompanhem a demanda real. Esse modelo visa resolver o dilema entre a oferta de infraestrutura e a confirmação dos investimentos privados no setor.
Além de atender à demanda interna do Nordeste, a expansão energética também considera o escoamento de energia para outras regiões. Um novo elo em corrente contínua de alta tensão (HVDC) está sendo planejado para levar a geração do Nordeste em direção a São Paulo, fortalecendo o suprimento energético para os grandes centros de consumo e para o crescimento do setor de data centers no Sudeste. Essa abordagem integrada busca otimizar a alocação de recursos e evitar gargalos no sistema elétrico nacional.
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