CEO da Elera defende ajustes nas tarifas de energia solar distribuída para refletir custos reais.
A presidente da Elera Renováveis, Karin Luchesi, propôs uma reformulação na forma como a energia gerada por meio da geração distribuída (GD) é tarifada. Segundo ela, o sistema atual não reflete adequadamente o valor da eletricidade em diferentes momentos do dia, especialmente ao comparar o pico de produção da energia solar com os horários de maior consumo. Luchesi argumenta que essa disparidade temporal gera distorções e que a estrutura tarifária precisa ser mais alinhada aos custos operacionais do setor elétrico.
A demanda por energia atinge seu ápice no fim da tarde e início da noite. Nesse período, a geração solar já diminuiu significativamente devido à menor incidência de luz solar. Para suprir essa lacuna, o sistema elétrico precisa recorrer a outras fontes de energia, que muitas vezes acarretam custos mais elevados. A executiva ressalta que o modelo de compensação atual falha em precificar de forma justa a energia injetada na rede durante o dia em comparação com o consumo noturno.
Uma tarifa mais sensível ao horário de geração e consumo poderia incentivar os usuários a gerenciarem melhor seus gastos e até mesmo a investirem em soluções de armazenamento de energia, como baterias. A ideia é que a transparência nos preços envie sinais claros, permitindo que consumidores tomem decisões mais eficientes sobre quando produzir, consumir ou armazenar eletricidade. Isso, por sua vez, poderia reduzir a dependência exclusiva da expansão da oferta para atender à demanda crescente.
A discussão proposta pela Elera também abrange os custos associados ao uso da rede elétrica. Com o aumento de consumidores autogeradores, torna-se crucial debater como os custos de manutenção e expansão dessa infraestrutura serão distribuídos. A revisão tarifária se insere nesse contexto, buscando evitar que determinados grupos de consumidores acabem arcando com encargos desproporcionais devido a mudanças no padrão de consumo.
A crescente adoção de tecnologias de armazenamento, como os sistemas de baterias (BESS), adiciona uma nova camada a esse debate. Tais sistemas podem otimizar o uso da energia solar e reduzir custos para o consumidor, mas sua viabilidade econômica depende, em grande parte, de uma estrutura tarifária que incentive essa flexibilidade. O desafio regulatório reside em equilibrar o estímulo à geração distribuída com a garantia de uma alocação justa dos custos da infraestrutura energética, promovendo a sustentabilidade do sistema elétrico.
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