A EPE mapeou a costa brasileira para identificar zonas com alto potencial para a energia eólica offshore, destacando três áreas prioritárias e estabelecendo diretrizes técnicas para o setor.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) deu um passo fundamental para o avanço da matriz energética nacional ao concluir um mapeamento detalhado dos ventos no litoral brasileiro. O novo estudo técnico isolou três regiões de grande destaque — os chamados hotspots — que exibem as velocidades mais favoráveis para a instalação de parques eólicos em alto-mar.
O levantamento, que sistematiza dados de fontes globais, não apenas aponta esses pontos de excelência, mas segmenta toda a costa em 20 grupos distintos. Essa padronização é vital, pois permite que o setor compreenda melhor as variações sazonais e diárias dos regimes de vento, oferecendo uma base científica sólida para investidores e órgãos de planejamento.
Metodologia e o novo painel de dados
Para chegar a esse nível de detalhamento, a EPE utilizou técnicas avançadas de clusterização. O objetivo foi harmonizar informações de bases internacionais consagradas — como o Global Wind Atlas (GWA) e os modelos ERA5 e MERRA-2 — reduzindo divergências e criando um padrão único para futuras avaliações de viabilidade técnica.
Junto com a nota técnica, foi lançado um dashboard interativo. Nessa plataforma, agentes do mercado podem consultar estatísticas detalhadas, incluindo rosas dos ventos, séries históricas e os parâmetros de distribuição de Weibull, essenciais para estimar a produtividade futura das turbinas eólicas.
Especialistas do setor energético destacaram:
“A disponibilização desses dados em uma plataforma pública reduz a barreira de entrada para empresas e consultorias, permitindo que a fase inicial de prospecção de projetos seja realizada com muito mais segurança e base estatística.”
Integração ao SIN e o futuro do offshore
Embora a identificação das áreas mais promissoras represente um avanço notável, a autarquia reforça que o mapeamento é um ponto de partida. A viabilidade real de qualquer empreendimento offshore ainda dependerá de uma análise complexa que inclui a proximidade com o Sistema Interligado Nacional (SIN), profundidade das águas e a viabilidade da cadeia logística e portuária.
O estudo também é um aliado estratégico para o planejamento da segurança energética brasileira. Ao entender o comportamento do vento em alto-mar, será possível desenhar estratégias de complementaridade, utilizando a força eólica offshore para compensar variações na produção hidrelétrica ou solar em diferentes períodos do ano.
O Brasil encontra-se em um momento decisivo, estruturando o arcabouço regulatório para o setor. Com esse novo levantamento, o país não só atrai a atenção de desenvolvedores internacionais, como também garante que o crescimento da energia eólica marítima siga um roteiro técnico rigoroso, visando a eficiência e a sustentabilidade a longo prazo.
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